Crise Adrenal: Diagnóstico Rápido e Manejo Emergencial

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino de 56 anos chega ao pronto atendimento com queixa de fadiga, astenia, tontura ao levantar e perda ponderal não aferida com duração de algumas semanas. No exame físico, encontra-se corado, desidratado, eupneico, frequência cardíaca: 108 bpm, pressão arterial deitado: 110 x 70 mmHg e sentado: 90 x 60 mmHg, auscultas cardíaca e pulmonar dentro da normalidade. Exames laboratoriais mostram; sódio sérico: 132 mEq/L, potássio sérico: 5,9 mEq/L, creatinina: 1,8 mg/dl, ureia 96 mg/dl, hemograma dentro da normalidade. Quanto ao caso, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Paciente com quadro de insuficiência adrenal. Iniciar reposição volêmica e hidrocortisona.
  2. B) Paciente com quadro de hiponatremia hipovolêmica sintomática. Deve-se iniciar correção com solução salina hipertônica a 3%.
  3. C) Paciente com quadro de choque hipovolêmico. Iniciar reposição volêmica vigorosa e antibiótico de amplo espectro na primeira hora.
  4. D) Paciente com quadro de insuficiência adrenal. Iniciar reposição volêmica, hidrocortisona e fludrocortisona.
  5. E) Paciente com quadro de insuficiência adrenal. Solicitar coleta de cortisol imediata antes de iniciar as medidas clínicas para compensação.

Pérola Clínica

Hipotensão postural + hiponatremia + hipercalemia + desidratação → suspeitar crise adrenal; iniciar hidrocortisona e fluidos.

Resumo-Chave

A combinação de hipotensão postural, desidratação, hiponatremia, hipercalemia e insuficiência renal aguda em um paciente com sintomas inespecíficos como fadiga e perda de peso é altamente sugestiva de insuficiência adrenal aguda. O tratamento emergencial consiste em reposição volêmica agressiva e administração de hidrocortisona intravenosa.

Contexto Educacional

A insuficiência adrenal aguda, ou crise adrenal, é uma emergência médica potencialmente fatal que resulta da deficiência grave de cortisol e, na insuficiência adrenal primária, também de aldosterona. É frequentemente precipitada por estresse (infecção, cirurgia, trauma) em pacientes com insuficiência adrenal crônica não diagnosticada ou inadequadamente tratada. Os sintomas incluem fadiga intensa, fraqueza, dor abdominal, náuseas, vômitos, hipotensão (especialmente postural) e, em casos graves, choque. Os achados laboratoriais clássicos incluem hiponatremia (devido à deficiência de aldosterona e aumento do ADH), hipercalemia (deficiência de aldosterona), e elevação da ureia e creatinina (prerrenal). A suspeita clínica é fundamental, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a desfechos desfavoráveis. O tratamento da crise adrenal é uma emergência e deve ser iniciado imediatamente após a coleta de amostras para cortisol e ACTH, sem aguardar os resultados. Consiste em reposição volêmica agressiva com solução salina isotônica e administração de hidrocortisona intravenosa em altas doses. A fludrocortisona (mineralocorticoide) não é necessária inicialmente, pois a hidrocortisona em altas doses tem atividade mineralocorticoide suficiente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais na crise adrenal?

Os achados laboratoriais típicos incluem hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia (menos comum), acidose metabólica e elevação da ureia e creatinina devido à desidratação e hipovolemia.

Por que a hidrocortisona é o tratamento de escolha na crise adrenal?

A hidrocortisona possui atividade glicocorticoide e mineralocorticoide, sendo essencial para repor ambos os hormônios deficientes na insuficiência adrenal primária, restaurando a homeostase e revertendo o choque.

Qual a importância da reposição volêmica na crise adrenal?

A reposição volêmica com solução salina isotônica é crucial para corrigir a desidratação e a hipovolemia severas, restaurando a perfusão tecidual e a pressão arterial, que são gravemente comprometidas na crise adrenal.

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