Insônia e Ansiedade: Abordagem Clínica e Conduta

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Considere que um homem de 40 anos de idade chega ao consultório com queixa de insônia. Relata dificuldades para iniciar o sono há aproximadamente seis meses. Durante a consulta, o paciente narra: "a cabeça funciona o tempo todo, me preocupo com tudo e não consigo dormir. Só se eu tomo remédio." Nos últimos dois meses, passou a utilizar o medicamento Rivotril, por orientação de sua esposa. Inicialmente fazia uso de apenas algumas gotas, mas passou a aumentar a dose e, hoje, faz uso de 30 gotas todas as noites. Qual deve ser a conduta do médico no atendimento desse paciente?

Alternativas

  1. A) Orientar a realizar a prática de atividade física aeróbica vigorosa, especialmente à noite, visando uma melhor qualidade do sono devido ao cansaço.
  2. B) Continuar prescrevendo o benzodiazepínico para o paciente na dosagem já utilizada, considerando que seu uso a longo prazo não traz problemas.
  3. C) Orientar sobre a higiene do sono, explicando que ele deve tirar cochilos diurnos sempre que sentir necessidade.
  4. D) Investigar melhor a presença de transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, comumente associados a queixas de insônia.

Pérola Clínica

Insônia inicial + Preocupação excessiva → Investigar Transtornos de Ansiedade ou Depressão.

Resumo-Chave

A insônia é frequentemente um sintoma secundário. O uso isolado de benzodiazepínicos sem tratar a causa base leva à tolerância, dependência e não resolve o problema subjacente.

Contexto Educacional

A insônia é uma das queixas mais comuns na prática clínica e deve ser abordada como um sintoma, não apenas como um diagnóstico isolado. No caso de pacientes que relatam que a 'cabeça funciona o tempo todo', há uma forte correlação com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). O uso de benzodiazepínicos como o clonazepam (Rivotril) por conta própria é um erro comum que leva ao ciclo de tolerância e aumento de dose. O médico deve realizar uma anamnese psiquiátrica completa para identificar comorbidades. O tratamento padrão-ouro para insônia crônica é a TCC-I, e para o transtorno de ansiedade, o uso de Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) é preferível aos benzodiazepínicos, visando o controle sustentado dos sintomas sem o risco de dependência.

Perguntas Frequentes

Por que evitar benzodiazepínicos na insônia crônica?

Os benzodiazepínicos causam tolerância (necessidade de doses maiores), dependência física e psíquica, além de prejudicarem a arquitetura do sono, reduzindo as fases de sono profundo e REM. Em longo prazo, aumentam o risco de quedas e prejuízo cognitivo.

Quais são as principais medidas de higiene do sono?

Incluem manter horários regulares para deitar e acordar, evitar telas (luz azul) e cafeína à noite, não realizar atividades estimulantes ou exercícios vigorosos antes de dormir e utilizar o quarto apenas para sono e atividade sexual.

Como abordar o paciente que já usa benzodiazepínico?

A conduta envolve o desmame gradual da medicação (redução lenta da dose) associado ao tratamento da causa base (como ansiedade) e implementação de Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo