SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um paciente de 45 anos de idade apresentou queixa de dificuldade para iniciar o sono e despertares noturnos frequentes. Referiu história de estresse ocupacional intenso e hábitos de sono irregulares. O exame físico revelou FC-80 bpm, PA-125 mmHg X 80 mmHg, sem alterações significativas. Qual é o diagnóstico mais provável para esse paciente?
Dificuldade de início/manutenção do sono + prejuízo funcional + ausência de causa orgânica = Insônia.
A insônia primária (Transtorno de Insônia) é diagnosticada clinicamente pela dificuldade persistente em iniciar ou manter o sono, associada a estressores e prejuízo diurno, sem outras patologias explicativas.
A insônia é o distúrbio do sono mais comum na prática clínica. Atualmente, o termo 'insônia primária' tem sido substituído pelo 'Transtorno de Insônia' nos manuais diagnósticos (DSM-5 e CID-11), enfatizando que a insônia é uma entidade nosológica própria, mesmo quando associada a outras condições. A fisiopatologia envolve um modelo de vulnerabilidade (modelo dos 3 Ps: Predisposição, Precipitação e Perpetuação). O tratamento de primeira linha recomendado pelas diretrizes internacionais é a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I), que aborda os pensamentos disfuncionais e comportamentos que mantêm o quadro, sendo superior a longo prazo ao uso isolado de hipnóticos.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na queixa de insatisfação com a qualidade ou quantidade do sono, manifestada por dificuldade em iniciar o sono, mantê-lo ou despertar precoce. Esses sintomas devem ocorrer pelo menos 3 vezes por semana por um período mínimo de 3 meses, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou acadêmico, apesar de condições adequadas para dormir.
A apneia obstrutiva do sono (AOS) geralmente apresenta roncos altos, pausas respiratórias presenciadas e sonolência excessiva diurna (hipersonia), enquanto a insônia foca na dificuldade de 'desligar' e iniciar o sono ou despertares frequentes. Embora possam coexistir (COMISA), a ausência de sintomas respiratórios e a presença de estressores psicossociais direcionam para a insônia primária.
O estresse atua como um fator precipitante e, muitas vezes, perpetuador da insônia. Ele gera um estado de hiperalerta psicofisiológico que dificulta a transição para o sono. Com o tempo, o paciente desenvolve ansiedade antecipatória em relação ao ato de dormir, o que consolida o quadro de insônia crônica mesmo após a resolução do estressor inicial.
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