PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Uma mulher de 55 anos, relatando dificuldades para iniciar o sono e mantê-lo há 8 meses, busca ajuda no consultório. A paciente refere estar muito estressada com o trabalho e apresenta sintomas leves de ansiedade. Ela menciona que já tentou valeriana e melatonina sem sucesso e tem receio de desenvolver dependência de medicamentos. Também se queixa de sonolência diurna e sensação de cansaço constante, afetando seu desempenho no trabalho. Não há outros problemas de saúde conhecidos. Qual seria o manejo mais adequado para essa paciente com insônia crônica?
Insônia crônica (>3 meses) → Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT-I) é a 1ª linha.
A CBT-I é superior aos medicamentos a longo prazo para insônia crônica, pois trata as causas comportamentais e cognitivas sem risco de dependência.
A insônia crônica é definida pela dificuldade em iniciar ou manter o sono, ocorrendo pelo menos 3 vezes por semana por 3 meses ou mais, com prejuízo funcional diurno. O manejo moderno prioriza a abordagem não farmacológica, especificamente a CBT-I, devido à sua eficácia sustentada e ausência de efeitos colaterais graves. Pacientes com sintomas de ansiedade leve e estresse ocupacional, como a do caso clínico, beneficiam-se especialmente da CBT-I, que ajuda a quebrar o ciclo de 'ansiedade de desempenho' em relação ao sono. Medicamentos hipnóticos podem ser usados como adjuvantes temporários em casos refratários ou agudos, mas nunca devem substituir a terapia comportamental como estratégia principal.
A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (CBT-I) é um protocolo estruturado que inclui: 1) Controle de estímulos (fortalecer a associação cama-sono); 2) Restrição do sono (limitar o tempo na cama ao tempo real de sono); 3) Terapia cognitiva (desafiar crenças irreais sobre o sono); 4) Técnicas de relaxamento; e 5) Higiene do sono. É considerada mais eficaz que fármacos para manter os ganhos a longo prazo.
Os benzodiazepínicos alteram a arquitetura do sono (reduzem o sono REM e ondas lentas), causam sedação residual diurna, risco de quedas (especialmente em idosos) e possuem alto potencial de tolerância e dependência química. Na insônia crônica, eles tratam apenas o sintoma agudo, sem abordar os mecanismos psicológicos que perpetuam o distúrbio.
As evidências para o uso de melatonina e fitoterápicos como a valeriana na insônia crônica primária são fracas. A melatonina é mais útil em distúrbios do ritmo circadiano (como jet lag ou atraso de fase) do que na insônia de manutenção ou início em adultos saudáveis. Por isso, não são recomendadas como terapia de primeira linha pelas principais diretrizes médicas.
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