Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Lactente, sexo masculino, 1 ano e 3 meses de idade, está em consulta de puericultura. Mãe traz queixa que ele desperta 4 a 5 vezes por noite e só readormece mamando no seio materno. Durante o dia, permanece em creche em horário integral, onde cuidadores referem que ele faz 3 cochilos curtos, de aproximadamente 40 minutos, iniciando e encerrando o sono sem necessidade de ajuda. Em casa, após chegar da creche, a mãe diz que ele fica muito mais agitado, quer andar de um lado para o outro da casa, ela nota que ele fica mais ativo ao anoitecer. Tem dificuldade de oferecer o jantar e o leite noturno, só consegue colocando-o para assistir telas para acalmar. Também usa a estratégia da tela do celular para mantê-lo deitado no seu colo e conseguir fazê-lo dormir. Há noites em que ele dorme antes das 22 h, mas em outras noites passa da meia-noite. Ao exame clínico, nenhuma alteração significativa. Crescimento e desenvolvimento compatíveis com a idade. A mãe solicita “alguma medicação para ajudá-lo a dormir”. Qual é a conduta adequada?
Telas + falta de rotina + associações inadequadas = insônia comportamental; tto é higiene do sono.
A insônia comportamental da infância requer reestruturação da rotina, eliminação de telas (luz azul inibe melatonina) e treino para adormecer de forma independente.
A insônia comportamental é um dos motivos mais frequentes de consulta em puericultura. Ela se divide em dois tipos principais: o tipo 'associação de início de sono', onde a criança depende de um estímulo externo (colo, seio, telas) para dormir, e o tipo 'falta de limites', comum em pré-escolares que resistem a ir para a cama. O tratamento padrão-ouro é a intervenção comportamental, focada na educação dos pais sobre a fisiologia do sono e a implementação de rotinas previsíveis. O uso de telas deve ser desencorajado, pois a luz artificial interfere no ritmo circadiano. Medicamentos como a melatonina não são primeira linha e só devem ser considerados após falha das medidas comportamentais e em contextos específicos, como transtornos do neurodesenvolvimento.
A insônia comportamental da infância é um distúrbio comum caracterizado pela dificuldade em iniciar ou manter o sono devido a associações inadequadas (como precisar mamar ou ser balançado) ou falta de limites impostos pelos cuidadores. No caso clínico, o lactente apresenta ambos os componentes: depende do seio para readormecer e não possui horários fixos ou limites claros para o uso de telas, o que fragmenta o sono e prejudica a qualidade do descanso tanto da criança quanto da família.
O uso de telas, especialmente ao anoitecer, expõe a criança à luz azul, que inibe a produção endógena de melatonina pela glândula pineal. Isso atrasa o início do sono e aumenta a agitação psicomotora. Além disso, o conteúdo das telas pode ser hiperestimulante, dificultando o relaxamento necessário para a transição ao sono. A recomendação atual da Sociedade Brasileira de Pediatria é evitar telas para crianças menores de 2 anos.
A conduta inicial deve ser sempre a reestruturação da higiene do sono. Isso inclui estabelecer horários consistentes para dormir e acordar, criar um ambiente calmo e escuro, e, crucialmente, ensinar a criança a adormecer de forma independente. Se a criança só dorme no seio, ela não saberá como voltar a dormir sozinha durante os microdespertares fisiológicos da madrugada, resultando em despertares completos que exigem a intervenção materna.
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