INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mulher puérpera de 29 anos, gesta = 5, para = 5, último parto há 2 meses, procura o Posto de Saúde para fazer planejamento familiar. A paciente é casada e informa ter apenas um parceiro sexual. Além disso, nega história de hipertensão, diabetes ou doenças sexualmente transmissíveis. A paciente está assintomática por ocasião dessa consulta. Após as reuniões de orientação reprodutiva, a paciente optou pela inserção do dispositivo intrauterino. Nesse caso, que procedimento deve ser realizado antes do início do uso desse método?
Exame especular + toque bimanual são obrigatórios antes da inserção do DIU.
A avaliação física prévia (especular e toque) é indispensável para descartar infecções, avaliar a anatomia uterina e garantir a segurança do procedimento de inserção do DIU.
A inserção do Dispositivo Intrauterino (DIU) é um procedimento ambulatorial seguro e altamente eficaz. No contexto do planejamento familiar, a simplificação do acesso é fundamental. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, os únicos requisitos mandatórios antes da inserção são uma anamnese detalhada e um exame físico ginecológico. O exame especular serve para visualizar o colo uterino, descartar infecções ativas (como cervicites) e observar malformações. O toque bimanual complementa a avaliação definindo a estática uterina. Exames complementares como ultrassonografia, colposcopia ou testes laboratoriais de rotina para ISTs (em pacientes de baixo risco) não devem ser barreiras para o início do método, sendo reservados para casos onde a clínica sugira patologias específicas.
Não é obrigatório ter um resultado de citologia oncótica recente para proceder com a inserção do DIU, desde que a paciente não apresente sinais de alerta ou esteja com o rastreamento em dia conforme as normas nacionais. A inserção não deve ser atrasada pela espera do resultado do Papanicolau, a menos que haja suspeita clínica de neoplasia cervical evidente ao exame especular.
O toque bimanual permite ao profissional identificar a posição do útero (anteversão, retroversão ou médio-versão), o tamanho uterino e a presença de massas ou dor à mobilização do colo. Conhecer a orientação do fundo uterino é crucial para direcionar o histerômetro e o aplicador do DIU corretamente, minimizando o risco de perfuração uterina durante o procedimento.
As principais contraindicações (Categoria 4 da OMS) incluem: gravidez suspeita ou confirmada, sepse puerperal imediata, doença inflamatória pélvica (DIP) atual, cervicite purulenta, sangramento vaginal de causa desconhecida e anomalias anatômicas que distorçam a cavidade uterina. A presença de miomas que não distorcem a cavidade não é contraindicação absoluta.
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