UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Homem, 24 anos, vitima de atropelamento com múltiplas fraturas, admitido com Glasgow 10, PA = 90/50 mmHg, FC = 127 bat/min, RCR. Foi submetido à cirurgia ortopédica para correção de fraturas e após estabilidade hemodinâmica, encaminhado para a enfermaria. Após 36 horas, evoluindo com colúria, oligúria, dor, distensão abdominal, sudorese e taquicardia. Exames laboratoriais: Hematócrito = 23%, hemoglobina = 6,8 g/dL, creatinina = 2,9 mg/dL, Ureia = 124 mg/dL, Potássio = 5,4 mEq/L, Sódio = 138 mEq/L, pH = 7,30 e HCO3 = 18mEq/dl. Em relação ao caso clínico, assinalar a opção CORRETA.
IRA pré-renal pós-trauma/cirurgia → Ureia/Cr > 20:1, FE Na+ < 1%, oligúria → Expansão volêmica.
A injúria renal aguda pré-renal é comum após trauma e cirurgia devido à hipovolemia e má perfusão renal. A relação ureia/creatinina > 20:1 e a fração de excreção de sódio (FE Na+) < 1% são marcadores diagnósticos importantes, indicando que o rim está tentando reter sódio e água. O tratamento inicial é a expansão volêmica.
A Injúria Renal Aguda (IRA) pré-renal é uma condição comum em pacientes críticos, especialmente após traumas graves e cirurgias, onde a hipovolemia e a consequente hipoperfusão renal são fatores etiológicos predominantes. É caracterizada por uma redução reversível da taxa de filtração glomerular devido à diminuição do fluxo sanguíneo renal, sem dano estrutural significativo ao parênquima renal. A rápida identificação e intervenção são cruciais para prevenir a progressão para formas mais graves de IRA. O diagnóstico da IRA pré-renal baseia-se em achados clínicos de hipovolemia (taquicardia, hipotensão, oligúria) e em índices urinários específicos. A relação ureia/creatinina sérica geralmente é superior a 20:1, e a fração de excreção de sódio (FE Na+) é tipicamente inferior a 1%. Esses achados refletem a tentativa do rim de conservar volume e sódio em resposta à hipoperfusão. É fundamental suspeitar de IRA pré-renal em pacientes com histórico de perdas volêmicas, choque ou uso de medicamentos que afetam a hemodinâmica renal. O tratamento primário da IRA pré-renal consiste na restauração do volume intravascular e da perfusão renal através da expansão volêmica com cristaloides. A resposta à fluidoterapia é um indicativo importante do diagnóstico. O prognóstico é geralmente bom se a condição for reconhecida e tratada precocemente, evitando a progressão para necrose tubular aguda. A monitorização rigorosa da diurese, eletrólitos e função renal é essencial durante o manejo.
Os principais marcadores incluem a relação ureia/creatinina sérica maior que 20:1, a fração de excreção de sódio (FE Na+) menor que 1%, e uma osmolaridade urinária elevada (>500 mOsm/kg) com sódio urinário baixo (<20 mEq/L).
A conduta inicial é a expansão volêmica agressiva com cristaloides, como soro fisiológico 0,9%, para restaurar a perfusão renal. A monitorização hemodinâmica é crucial para guiar a reposição de fluidos.
A diferenciação baseia-se principalmente nos índices urinários. Na pré-renal, o rim tenta compensar a hipoperfusão, retendo sódio e água (FE Na+ <1%, sódio urinário <20). Na NTA, há dano tubular, resultando em incapacidade de concentrar a urina (FE Na+ >2%, sódio urinário >40).
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