IRA Pós-Renal por Bexigoma: Diagnóstico e Manejo

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 60 anos foi internado devido a dores no hipogástrio e mal estar. Referia jato partido e esforço miccional há alguns anos, mas mantinha diurese abundante. Ao exame físico percebeu-se massa suprapúbica dolorosa. Exames solicitado pelo plantonista evidenciara creatinina (Cr) sérica de 1,5 mg/dl e ureia de 60 mg/dl. O paciente tinha exames da semana passada com Creatinina: 1,1mg/dl e Ureia: 50mg/dl. Sobre este caso, podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Apesar da ascensão dos níveis das escoras nitrogenadas, não podemos afirmar que se trata de uma Injúria Renal Aguda, pois a elevação foi menor que 50% da Cr basal.
  2. B) A creatinina é um exame importante para detecção precoce da IRA.
  3. C) A Ultrassonografia é um exame importante para diferenciar IRA de DRC agudizada, mas ajuda pouco na identificação da etiologia da IRA.
  4. D) Tratando-se de um bexigoma, por provável HPB, a passagem da sonda de alívio ajudaria no alívio dos sintomas e reversão completa das alterações laboratoriais.

Pérola Clínica

Bexigoma + IRA pós-renal → desobstrução (sondagem) reverte alterações laboratoriais.

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial sugere uma Injúria Renal Aguda (IRA) pós-renal, causada por obstrução do trato urinário inferior (bexigoma secundário à HPB). A desobstrução imediata, geralmente por sondagem vesical, é a conduta essencial para aliviar os sintomas, prevenir danos renais e reverter as alterações de creatinina e ureia.

Contexto Educacional

A Injúria Renal Aguda (IRA) é uma síndrome clínica comum, caracterizada por uma rápida deterioração da função renal. A IRA pós-renal, embora menos frequente que as pré-renal e renal, é de suma importância por ser potencialmente reversível com a desobstrução do trato urinário. A retenção urinária aguda, frequentemente manifestada como bexigoma, é uma das principais causas. No caso apresentado, o paciente com HPB desenvolveu um bexigoma, que é a distensão excessiva da bexiga devido à obstrução crônica da saída vesical. Essa obstrução leva ao aumento da pressão retrógrada, causando hidronefrose e comprometimento da filtração glomerular, resultando na elevação da creatinina e ureia. A elevação da creatinina de 1,1 para 1,5 mg/dL, embora não seja um aumento de 50% em relação ao basal, é clinicamente significativa no contexto de um bexigoma e sintomas obstrutivos, indicando IRA. O tratamento da IRA pós-renal é a remoção da obstrução. No caso de um bexigoma, a passagem de uma sonda vesical de alívio é a medida terapêutica inicial e mais eficaz. Essa intervenção não só alivia os sintomas do paciente, como também permite a drenagem da urina, reduz a pressão no trato urinário superior e, na maioria dos casos, leva à reversão completa da disfunção renal e normalização dos exames laboratoriais.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de Injúria Renal Aguda pós-renal?

As causas mais comuns incluem obstrução do trato urinário inferior (como Hiperplasia Prostática Benigna, cálculos, estenoses uretrais, tumores pélvicos) e obstrução bilateral dos ureteres (por cálculos, tumores retroperitoneais ou fibrose).

Como o bexigoma causa Injúria Renal Aguda?

O bexigoma, uma distensão excessiva da bexiga devido à obstrução, causa aumento da pressão intravesical. Essa pressão se transmite retrogradamente aos ureteres e rins, levando à hidronefrose e comprometimento da filtração glomerular, resultando em IRA.

Qual a importância da ultrassonografia no diagnóstico da IRA pós-renal?

A ultrassonografia renal é crucial para identificar a hidronefrose, que é o achado característico da obstrução do trato urinário superior, confirmando a etiologia pós-renal da IRA e auxiliando na localização da obstrução.

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