Injúria Renal Aguda em Acidente Botrópico: Diagnóstico

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino de 21 anos, com 60 kg de peso corporal, foi vítima de acidente botrópico, tendo dado entrada na Unidade de Emergência normotenso e em boas condições clínicas, onde recebeu tratamento convencional para o caso. Trinta e seis horas mais tarde, observou-se que a concentração da creatinina sérica do paciente era de 1,5 mg/dl, sendo que o exame na admissão mostrava valor de 0,9 mg/dl. Não se observou redução do volume urinário, que nas últimas 24 horas mostrava valor de 1140 ml. A dosagem de creatinina sérica foi repetida, confirmando-se a concentração de 1,3 mg/dl. Em relação à função renal assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) o paciente deve estar apresentando somente injúria renal aguda pré-renal.
  2. B) a alteração laboratorial encontrada deve ser decorrente somente da lesão muscular associada à ação do veneno botrópico, não havendo injúria renal aguda.
  3. C) os dados são compatíveis com diagnóstico de injúria renal aguda, que muito provavelmente é de origem renal.
  4. D) os dados não são compatíveis com diagnóstico de injúria renal aguda, pois o valor da creatinina de 1,3.
  5. E) é necessária uma terceira dosagem da creatinina sérica para a confirmação de lesão renal aguda.

Pérola Clínica

Acidente botrópico + ↑ Creatinina (>1.5x basal) → IRA intrínseca (NTA), mesmo com diurese preservada.

Resumo-Chave

O aumento da creatinina sérica em mais de 50% do valor basal em 36 horas, mesmo com diurese preservada, configura Injúria Renal Aguda (IRA) pelos critérios KDIGO. O veneno botrópico é nefrotóxico e pode causar NTA, uma forma de IRA intrínseca.

Contexto Educacional

A Injúria Renal Aguda (IRA) é uma síndrome caracterizada pela perda súbita da função renal, resultando em acúmulo de produtos nitrogenados e desequilíbrio hidroeletrolítico. Sua etiologia é multifatorial, sendo as causas pré-renais, renais (intrínsecas) e pós-renais. O diagnóstico é baseado nos critérios KDIGO, que consideram tanto o aumento da creatinina sérica quanto a redução do volume urinário. No contexto de acidentes ofídicos, especialmente os botrópicos (causados por serpentes do gênero Bothrops, como a jararaca), a IRA é uma complicação comum e grave. O veneno botrópico contém enzimas proteolíticas e miotóxicas que podem causar rabdomiólise, liberando mioglobina, que é nefrotóxica. Além disso, há efeitos diretos do veneno sobre os rins, contribuindo para a necrose tubular aguda (NTA), a forma mais comum de IRA intrínseca nesses casos. O manejo da IRA em acidentes botrópicos envolve o tratamento específico do envenenamento com soro antibotrópico, além de medidas de suporte renal. É fundamental monitorar a função renal de perto, hidratar o paciente e corrigir distúrbios eletrolíticos. A identificação precoce da IRA, mesmo na ausência de oligúria, é crucial para instituir as intervenções necessárias e evitar a progressão para doença renal crônica ou necessidade de terapia renal substitutiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar Injúria Renal Aguda (IRA) segundo o KDIGO?

A IRA é diagnosticada por um aumento da creatinina sérica de ≥ 0,3 mg/dL em 48h, ou um aumento de ≥ 1,5 vezes o valor basal em 7 dias, ou volume urinário < 0,5 mL/kg/h por 6 horas.

Por que o veneno botrópico causa Injúria Renal Aguda?

O veneno botrópico possui componentes nefrotóxicos diretos e pode induzir rabdomiólise, liberando mioglobina que é tóxica para os túbulos renais, levando à necrose tubular aguda.

É possível ter Injúria Renal Aguda sem oligúria?

Sim, a IRA pode ser não oligúrica, onde a função renal está comprometida (evidenciada pelo aumento da creatinina), mas o volume urinário permanece adequado. Isso é comum em casos de necrose tubular aguda.

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