Injúria Renal Aguda (IRA): Diagnóstico e Indicação de Diálise

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Paciente 45 anos, portador de DM e IRC, evoluiu com oligúria, após internação por descompensação de insuficiência. Após admissão na UTI, para suporte ventilatório, evoluiu com creatinina de 1,8 mg/dL e, após 2 dias, 2,1mg/dL. Baseado neste caso, responda:

Alternativas

  1. A) Trata-se de IRA, deve ser hidratado vigorosamente.
  2. B) Trata-se de IRC, deve ser submetido à diálise.
  3. C) Trata-se de IRA, deve ser submetido a tratamento com diurético.
  4. D) Trata-se de IRC, deve ser transfundido.
  5. E) Trata-se de IRA, deve ser submetido à diálise.

Pérola Clínica

IRA sobre IRC: aumento agudo creatinina em paciente com doença renal prévia. Diálise indicada em IRA grave.

Resumo-Chave

A elevação da creatinina em um paciente com doença renal crônica prévia e descompensação aguda, especialmente em UTI com oligúria, sugere Injúria Renal Aguda (IRA) sobreposta à IRC. A decisão por diálise é baseada na gravidade da IRA e na presença de indicações absolutas, como oligúria refratária, sobrecarga volêmica, acidose metabólica grave ou hipercalemia.

Contexto Educacional

A Injúria Renal Aguda (IRA) é uma síndrome caracterizada por uma rápida perda da função renal, resultando em acúmulo de produtos nitrogenados e desregulação do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-base. É uma condição comum em pacientes hospitalizados, especialmente em unidades de terapia intensiva, e sua incidência é maior em indivíduos com comorbidades preexistentes, como diabetes mellitus e doença renal crônica (IRC). O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar o prognóstico. O diagnóstico de IRA baseia-se principalmente na elevação da creatinina sérica e/ou redução do débito urinário, conforme os critérios KDIGO. Em pacientes com IRC, a IRA pode se sobrepor, manifestando-se como uma piora aguda da função renal basal. A fisiopatologia envolve fatores pré-renais (hipoperfusão), renais (necrose tubular aguda, glomerulonefrite) e pós-renais (obstrução). A suspeita deve surgir em qualquer paciente com piora clínica e fatores de risco. O tratamento da IRA é multifacetado, visando corrigir a causa subjacente, otimizar o estado volêmico e eletrolítico, e prevenir complicações. Em casos graves, a terapia renal substitutiva (diálise) é indicada para manejar sobrecarga volêmica refratária, hipercalemia, acidose metabólica grave ou uremia. O prognóstico da IRA é variável e depende da causa, gravidade e comorbidades do paciente, sendo a recuperação completa da função renal nem sempre alcançada, especialmente em pacientes com IRC preexistente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar Injúria Renal Aguda (IRA)?

A IRA é diagnosticada por um aumento da creatinina sérica de ≥ 0,3 mg/dL em 48 horas, ou um aumento de ≥ 1,5 vezes o valor basal em 7 dias, ou débito urinário < 0,5 mL/kg/h por 6 horas, conforme os critérios KDIGO.

Quais são as indicações absolutas para diálise em um paciente com IRA?

As indicações absolutas para diálise na IRA incluem acidose metabólica grave refratária, hipercalemia grave refratária, sobrecarga volêmica refratária, uremia grave (encefalopatia, pericardite, sangramento) e intoxicações dialisáveis.

Como diferenciar IRA de IRC descompensada?

A IRA é caracterizada por uma queda súbita da função renal, enquanto a IRC é uma perda progressiva e irreversível. Em pacientes com IRC, a IRA pode ser sobreposta, manifestando-se como uma piora aguda da função renal basal, exigindo avaliação e manejo específicos.

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