Injúria Renal Aguda: Estadiamento KDIGO e AKIN

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino com 27 anos de idade, está internado com quadro grave de hemólise pós ataque de abelhas. À admissão apresentava creatinina sérica de 1,1 mg/dl, a qual se elevou para 3,9 mg/dl, após 5 dias. Nas 24 horas prévias à coleta desse exame, o paciente teve diurese de 340 ml. O paciente se mantém hemodinamicamente estável sem uso de drogas vasoativas. Considerando a diretriz do KDIGO (Kidney Disease Improvement Global Outcomes), qual a classificação de AKIN?

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta injúria renal aguda estádio 1.
  2. B) O paciente apresenta injúria renal aguda estádio 2.
  3. C) O paciente apresenta injúria renal aguda estádio 3.
  4. D) O paciente apresenta injúria renal aguda estádio 4.
  5. E) O paciente apresenta injúria renal aguda, de origem pré-renal, não sendo possível, nenhum estadiamento.

Pérola Clínica

Creatinina ↑ 3.5x baseline e diurese < 0.3 mL/kg/h por > 24h → Injúria Renal Aguda Estágio 3 (KDIGO).

Resumo-Chave

O estadiamento da Injúria Renal Aguda (IRA) pela diretriz KDIGO considera tanto o aumento da creatinina sérica em relação ao valor basal quanto a redução do débito urinário. No caso, o aumento da creatinina de 1,1 para 3,9 mg/dL representa um aumento de 3,54 vezes, e a diurese de 340 mL em 24 horas (assumindo peso médio) é inferior a 0,3 mL/kg/h, ambos critérios para Estágio 3.

Contexto Educacional

A Injúria Renal Aguda (IRA), também conhecida como Lesão Renal Aguda (LRA), é uma síndrome caracterizada por uma rápida deterioração da função renal, manifestada por aumento da creatinina sérica e/ou redução do débito urinário. É uma condição comum em pacientes hospitalizados, especialmente em unidades de terapia intensiva, e está associada a alta morbimortalidade. O estadiamento da IRA, conforme as diretrizes KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes), é fundamental para padronizar o diagnóstico, avaliar a gravidade e orientar o manejo. Os critérios KDIGO classificam a IRA em três estágios, baseando-se no aumento da creatinina sérica em 48 horas ou 7 dias, ou na redução do débito urinário. O estágio 1 envolve um aumento de creatinina de 1.5-1.9 vezes o basal ou ≥0.3 mg/dL, ou oligúria por 6-12 horas. O estágio 2 é um aumento de 2.0-2.9 vezes o basal ou oligúria por ≥12 horas. O estágio 3 é o mais grave, com aumento de ≥3.0 vezes o basal, creatinina ≥4.0 mg/dL, início de terapia renal substitutiva, ou oligúria por ≥24 horas/anúria por ≥12 horas. É importante utilizar o critério mais grave para o estadiamento. O manejo da IRA envolve a identificação e tratamento da causa subjacente (neste caso, hemólise pós-ataque de abelhas), otimização do estado volêmico, suspensão de drogas nefrotóxicas e monitoramento rigoroso da função renal e eletrólitos. Em casos de IRA estágio 3, a terapia renal substitutiva (diálise) pode ser necessária. O reconhecimento precoce e o estadiamento preciso são essenciais para implementar intervenções que possam prevenir a progressão da doença e melhorar os desfechos do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o estadiamento da IRA segundo o KDIGO?

Os critérios KDIGO para IRA baseiam-se no aumento da creatinina sérica em relação ao valor basal e na redução do débito urinário. O estágio é determinado pelo critério mais grave atingido, seja ele por creatinina (aumento de 1.5x, 2x ou 3x o basal) ou por diurese (oligúria por 6-12h, >12h ou >24h/anúria).

Como a hemólise pode causar Injúria Renal Aguda?

A hemólise grave, como a observada após ataques de abelhas, pode causar IRA devido à liberação de hemoglobina livre. A hemoglobina é nefrotóxica, podendo levar à necrose tubular aguda por obstrução dos túbulos renais e toxicidade direta, além de vasoconstrição renal.

Qual a importância do estadiamento da IRA para a conduta clínica?

O estadiamento da IRA é crucial para guiar a conduta clínica e o prognóstico. Estágios mais avançados (como o Estágio 3) indicam maior gravidade, maior risco de complicações e maior probabilidade de necessidade de terapia renal substitutiva, exigindo monitoramento intensivo e intervenções mais agressivas.

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