Indicações de Hemodiálise de Urgência na Injúria Renal Aguda

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Homem, 55 anos, com histórico de doença renal crônica por glomerulonefrite e transplante renal com doador falecido há 20 meses, está internado há 3 dias devido a pneumonia comunitária. Evoluiu com choque, necessidade de intubação endotraqueal e uso de drogas vasoativas. Há 1 dia com 50 ml de diurese em 24 horas, com balanço hídrico positivo em aproximadamente 10% de seu peso corporal. Seus exames séricos mostram creatinina 4,0 mg/dL, ureia 160 mg/dL, potássio 6,6 mEq/L e bicarbonato 10,1 mmol/L. A conduta para o caso descrito é:

Alternativas

  1. A) expansão volêmica, solução polarizante e furosemida.
  2. B) restrição volêmica, hidroclortiazida, furosemida e resina de troca iônica.
  3. C) expansão volêmica e hemodiálise, resina de troca.
  4. D) restrição volêmica, eletrocardiograma e hemodiálise.

Pérola Clínica

Hipercalemia + Acidose + Sobrecarga volêmica refratária = Hemodiálise de urgência.

Resumo-Chave

O paciente apresenta indicações clássicas de terapia de substituição renal de urgência: hipercalemia grave, acidose metabólica severa e sobrecarga volêmica significativa em cenário de oligúria.

Contexto Educacional

O manejo da Injúria Renal Aguda (IRA) no paciente crítico, especialmente em transplantados renais, exige reconhecimento rápido das complicações fatais. O paciente em questão apresenta uma IRA estágio 3 (KDIGO), complicada por choque séptico e pneumonia. A tríade de hipercalemia (6.6 mEq/L), acidose metabólica (Bicarbonato 10.1) e sobrecarga hídrica maciça (10% do peso) torna a diálise mandatória. A escolha da alternativa D destaca a priorização da segurança: restrição volêmica para não agravar o edema, ECG para avaliar risco iminente de parada cardíaca por potássio e hemodiálise como tratamento definitivo para os distúrbios metabólicos e volêmicos. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica (uso de drogas vasoativas), a hemodiálise contínua (CRRT) seria a modalidade ideal, mas o conceito principal avaliado é a indicação da terapia dialítica em si.

Perguntas Frequentes

Quais as indicações de diálise de urgência?

As indicações clássicas para terapia de substituição renal (TSR) de urgência são resumidas pelo mnemônico AEIOU. 'A' refere-se à acidose metabólica grave (pH < 7.1-7.2) refratária ao tratamento clínico. 'E' engloba distúrbios eletrolíticos, principalmente a hipercalemia acima de 6.5 mEq/L ou com alterações eletrocardiográficas. 'I' indica intoxicações por substâncias dialisáveis como salicilatos, lítio ou etilenoglicol. 'O' representa o 'Overload' ou sobrecarga volêmica (edema agudo de pulmão) que não responde a diuréticos. Por fim, 'U' refere-se a complicações da uremia, como pericardite, encefalopatia ou sangramentos por disfunção plaquetária. No caso clínico, o paciente apresenta acidose, hipercalemia e sobrecarga volêmica severa (10% do peso), preenchendo múltiplos critérios.

Por que o ECG é prioritário na hipercalemia?

O potássio elevado (6.6 mEq/L) é uma emergência médica pois pode causar arritmias fatais, como fibrilação ventricular ou assistolia. O eletrocardiograma (ECG) é a ferramenta mais rápida para identificar sinais de toxicidade miocárdica, como ondas T apiculadas ('em tenda'), achatamento da onda P, prolongamento do intervalo PR e alargamento do complexo QRS. A presença de qualquer alteração no ECG em um contexto de hipercalemia indica a necessidade imediata de gluconato de cálcio a 10% para estabilizar a membrana dos cardiomiócitos, antes mesmo de iniciar medidas para reduzir os níveis de potássio ou a diálise.

Como manejar a volemia no choque com anúria e edema?

O manejo volêmico no paciente em choque séptico com injúria renal aguda é desafiador. Embora a ressuscitação inicial exija fluidos, o acúmulo excessivo (balanço hídrico positivo > 10% do peso corporal) está associado a maior mortalidade, piora da troca gasosa e disfunção orgânica. Quando o paciente evolui com oligúria extrema (50ml/24h) e sinais claros de sobrecarga (edema, congestão), a expansão volêmica adicional é deletéria. A conduta correta envolve a restrição hídrica rigorosa e a remoção de fluido através de ultrafiltração durante a hemodiálise, visando restaurar a homeostase volêmica enquanto se mantém o suporte pressórico.

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