Manejo da Hipercalemia e Acidose na Injúria Renal Aguda

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 57 anos de idade, acometido por cirrose hepática de etiologia alcoólica com hepatocarcinoma associado, foi internado devido ao aumento de volume abdominal, dor abdominal e confusão mental. Foi realizada uma punção diagnóstica, com 375 neutrófilos no líquido puncionado, albumina soro 1,9 e albumina do líquido ascítico 0,6 e culturas em andamento. Foi, então, iniciada antibioticoterapia empírica e diureticoterapia com furosemida e espironolactona. No terceiro dia de internação, a paciente evoluiu com oligoanúria, teve piora do edema periférico, creatinina de 2,9 (na entrada, era de 0,8), ureia de 93, potássio 5,7, gasometria com pH 7,28 e bicarbonato 15.A respeito dos dados gasométricos apresentados em um contexto de injúria renal aguda, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente possui indicação bem estabelecida de reposição endovenosa de bicarbonato devido ao valor de pH apresentado.
  2. B) O tratamento da hipercalemia, por si só, seria suficiente para a correção do pH.
  3. C) Ao realizar a insulina associada à glicose em pacientes com injúria renal, o risco de hipoglicemia é maior que na população geral.
  4. D) A alteração gasométrica apresentada pode ser um efeito adverso da furosemida, independentemente da piora de função renal ocorrida.
  5. E) Para a hipercalemia apresentada, podem‑se realizar glicose + insulina, inalação com b2 agonista e furosemida.

Pérola Clínica

IRA → ↓ clearance de insulina → ↑ risco de hipoglicemia no tratamento da hipercalemia.

Resumo-Chave

Na injúria renal aguda, a meia-vida da insulina é prolongada devido à redução do seu clearance renal, exigindo monitorização rigorosa da glicemia durante a solução polarizante.

Contexto Educacional

A injúria renal aguda (IRA) em pacientes cirróticos é multifatorial, podendo decorrer de hipovolemia, necrose tubular aguda ou síndrome hepatorrenal. O manejo metabólico exige cautela, especialmente na correção de distúrbios eletrolíticos. A hipercalemia é uma emergência comum onde a solução de insulina e glicose é padrão-ouro para redistribuição. No entanto, a falência renal altera a farmacocinética da insulina, aumentando significativamente a incidência de hipoglicemia iatrogênica. Além disso, a acidose metabólica associada deve ser avaliada criteriosamente; valores de pH acima de 7.20 frequentemente não requerem reposição de base, focando-se no tratamento da causa base e controle volêmico.

Perguntas Frequentes

Por que o risco de hipoglicemia é maior na IRA?

O rim é responsável por cerca de 20% do clearance de insulina. Na IRA, a filtração glomerular e o metabolismo tubular da insulina diminuem, prolongando sua meia-vida e aumentando o risco de hipoglicemia durante o tratamento da hipercalemia com insulina e glicose.

Quando repor bicarbonato na IRA?

A reposição é controversa, mas geralmente indicada em acidose metabólica grave (pH < 7.1-7.2) ou quando há perdas digestivas/renais importantes de bicarbonato, não sendo indicada apenas pelo valor de 7.28 isoladamente.

Quais medidas para hipercalemia agem por redistribuição?

A solução de insulina com glicose e os beta-2 agonistas inalatórios promovem o shift intracelular de potássio, reduzindo temporariamente os níveis séricos sem remover o potássio do organismo.

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