TRALI: Diagnóstico e Manejo da Injúria Pulmonar Aguda

ENARE/ENAMED — Prova 2022

Enunciado

Sobre a injúria pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI), é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) só ocorre nas tranfusões de concentrado de hemáceas.
  2. B) o uso de corticoides sistêmicos está indicado.
  3. C) nos casos em que a ventilação mecânica seja necessária, volume corrente >8mL/Kg e pressão média de via aérea acima de 30cm de H20 estão indicados.
  4. D) o início dos sintomas em até 06 (seis) horas da transfusão é um dos critérios diagnósticos.
  5. E) o uso de diurético de alça está indicado.

Pérola Clínica

TRALI = injúria pulmonar aguda pós-transfusão (<6h), edema não cardiogênico.

Resumo-Chave

A Injúria Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma complicação grave e potencialmente fatal da transfusão de hemocomponentes. Caracteriza-se por início agudo de hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais em até 6 horas após a transfusão, na ausência de evidência de sobrecarga circulatória ou outra causa de injúria pulmonar aguda. É um edema pulmonar não cardiogênico.

Contexto Educacional

A Injúria Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma das complicações mais graves e a principal causa de mortalidade relacionada à transfusão. É caracterizada por um início súbito de insuficiência respiratória hipoxêmica e infiltrados pulmonares bilaterais, que se desenvolvem durante ou em até 6 horas após a transfusão de qualquer hemocomponente. O residente deve estar vigilante para reconhecer essa condição e diferenciá-la de outras causas de injúria pulmonar. A fisiopatologia da TRALI envolve a ativação de neutrófilos no leito vascular pulmonar, levando a dano endotelial e aumento da permeabilidade capilar, resultando em edema pulmonar não cardiogênico. Embora o mecanismo mais clássico seja a presença de anticorpos anti-HLA ou anti-HNA no plasma do doador que reagem com os leucócitos do receptor, a 'hipótese dos dois hits' também é aceita, onde uma condição inflamatória prévia do paciente é exacerbada por mediadores inflamatórios presentes nos hemocomponentes. O diagnóstico da TRALI é clínico e de exclusão, baseado nos critérios temporais e radiológicos, e na ausência de sobrecarga circulatória (TACO). O tratamento é de suporte, com foco na oxigenação e, se necessário, ventilação mecânica protetora. É crucial evitar diuréticos, que são indicados na TACO, mas prejudiciais na TRALI. A prevenção envolve a utilização de plasma e plaquetas de doadores masculinos ou de mulheres nulíparas, para reduzir a exposição a anticorpos anti-HLA/HNA.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para TRALI?

Os critérios incluem início agudo de hipoxemia (PaO2/FiO2 <300 ou SpO2 <90% em ar ambiente), infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, ausência de evidência de sobrecarga circulatória (TACO) e início dos sintomas em até 6 horas após o término da transfusão.

Qual a fisiopatologia da TRALI?

A TRALI é causada por uma interação entre anticorpos anti-HLA ou anti-HNA presentes no plasma do doador e leucócitos do receptor, ou por uma 'two-hit hypothesis' onde o paciente já tem uma condição inflamatória prévia e a transfusão de produtos biológicos (lipídios bioativos) atua como segundo 'hit', ativando neutrófilos e levando a dano endotelial pulmonar.

Qual a conduta inicial no manejo de um paciente com TRALI?

O manejo é principalmente de suporte, incluindo interrupção imediata da transfusão, suporte ventilatório com oxigenoterapia e, se necessário, ventilação mecânica protetora (volumes correntes baixos, PEEP otimizada). Diuréticos e corticosteroides não são indicados rotineiramente.

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