INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um lactente com 12 meses de idade é levado ao Pronto-Socorro por sua genitora com relato de choro intenso, edema na perna e queda do berço há 8 horas aproximadamente. Tem antecedente de TCE há dois meses, também por queda do berço, segundo a mãe. Foi realizada uma radiografia, cuja imagem está reproduzida abaixo: A indicação de internação para essa criança será feita considerando como diagnóstico mais provável a:
História incompatível com a lesão + traumas prévios + fraturas em diferentes estágios = Injúria Intencional.
A presença de lesões recorrentes (TCE prévio) e fraturas em lactentes com mecanismos de trauma pouco plausíveis exige a imediata suspeita de violência doméstica e internação para proteção da criança.
A injúria física intencional, parte do espectro dos maus-tratos infantis, é uma emergência médica e social. O caso clínico apresenta um lactente de 12 meses com lesões graves e recorrentes (TCE prévio e fratura atual). A discrepância entre o mecanismo relatado (queda do berço) e a gravidade das lesões é o principal 'red flag'. Em lactentes, quedas de baixa altura raramente causam fraturas de ossos longos ou TCE grave. O papel do pediatra e do médico de emergência é fundamental na identificação precoce. A internação é indicada não apenas para o tratamento das fraturas, mas como medida de proteção para afastar a criança do agressor em potencial enquanto a investigação social e judicial é realizada. O exame físico deve ser minucioso, buscando equimoses em locais atípicos (orelhas, pescoço, tronco) e fundo de olho para descartar hemorragias retinianas (comuns na Síndrome do Bebê Sacudido).
Sinais radiológicos de alta especificidade para maus-tratos incluem fraturas metafisárias em 'alça de balde' ou 'canto', fraturas de arcos costais posteriores, fraturas de escápula, processo espinhoso vertebral e fraturas em diferentes estágios de consolidação sem explicação clínica. A presença de múltiplas fraturas em um lactente que ainda não deambula é extremamente suspeita, pois o trauma acidental nessa faixa etária raramente resulta em lesões ósseas graves.
A conduta imediata envolve a estabilização clínica do paciente e a internação hospitalar, mesmo que a lesão atual pareça leve, para garantir a segurança da criança e permitir uma avaliação multidisciplinar. O médico tem o dever legal de realizar a notificação compulsória ao Conselho Tutelar e/ou autoridades competentes (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A omissão de notificação é passível de sanções legais.
O principal diagnóstico diferencial clínico é a Osteogênese Imperfeita (doença dos ossos de vidro), que deve ser considerada se houver escleras azuladas, histórico familiar e dentinogênese imperfeita. Outras condições incluem o raquitismo (deficiência de vitamina D), sífilis congênita (periostite), escorbuto e leucemia. No entanto, a presença de lesões em tecidos moles associadas e o histórico de traumas cranianos repetidos tornam a injúria intencional o diagnóstico mais provável.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo