UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Homem, 17a, descobriu ser portador do vírus da imunodeficiência humana durante investigação de quadro neurológico diagnosticado como neurotoxoplasmose, em tratamento há 5 dias com sulfadiazina e pirimetamina.O INICIO DA TERAPIA RETROVIRAL DEVERÁ OCORRER:
Neurotoxoplasmose + HIV → Iniciar TARV imediatamente, independente do CD4, mesmo com risco de IRIS.
Em pacientes com HIV e neurotoxoplasmose, a recomendação atual é iniciar a TARV precocemente, geralmente nas primeiras duas semanas de tratamento da infecção oportunista, e em alguns casos, como na neurotoxoplasmose, o início imediato pode ser considerado, visando reduzir a morbimortalidade. O risco de Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (IRIS) é gerenciado, mas não impede o início da TARV.
A neurotoxoplasmose é uma das infecções oportunistas mais comuns e graves em pacientes com HIV, especialmente naqueles com contagem de CD4 abaixo de 100 células/mm³. É causada pelo parasita Toxoplasma gondii e manifesta-se clinicamente com sintomas neurológicos focais, convulsões e alterações do estado mental. O diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado em achados clínicos, sorologia positiva para toxoplasmose e lesões cerebrais típicas na neuroimagem. O tratamento da neurotoxoplasmose envolve sulfadiazina e pirimetamina, com ácido folínico para prevenir a mielossupressão. A grande questão é o momento do início da Terapia Antirretroviral (TARV). As diretrizes atuais recomendam o início precoce da TARV, geralmente nas primeiras duas semanas do tratamento da infecção oportunista, e em situações como a neurotoxoplasmose, o início pode ser imediato, independentemente da contagem de CD4. Essa abordagem visa reduzir a carga viral do HIV, promover a recuperação imunológica e diminuir a morbimortalidade associada à infecção pelo HIV. Embora o início precoce da TARV possa aumentar o risco de Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (IRIS), os benefícios superam os riscos na maioria dos casos graves. A IRIS é uma resposta inflamatória paradoxal à recuperação imune, que pode exacerbar os sintomas da infecção oportunista. O manejo da IRIS é de suporte, e a profilaxia com corticosteroides não é rotineiramente recomendada para prevenir IRIS em todos os casos de neurotoxoplasmose, sendo reservada para situações específicas. O acompanhamento rigoroso é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e identificar precocemente complicações.
O início da TARV em pacientes com neurotoxoplasmose e HIV deve ser precoce, preferencialmente nas primeiras duas semanas do tratamento da infecção oportunista, e em alguns casos, imediatamente, visando reduzir a morbimortalidade.
Não, o início da TARV na neurotoxoplasmose não é dependente da contagem de linfócitos-T CD4+. A prioridade é o controle da replicação viral e a recuperação imune.
IRIS é uma exacerbação paradoxal de uma infecção oportunista ou condição inflamatória após o início da TARV, devido à recuperação imune. Embora seja um risco, não costuma adiar o início da TARV em condições graves como a neurotoxoplasmose.
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