UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 28 anos, com DM1 sem complicações microvasculares ou macrovasculares, está em tratamento com insulina, com controle glicêmico inadequado. Em relação à prescrição de inibidores da SGLT-2, é correto afirmar que:
SGLT2 em DM1 → ↑ Risco de Cetoacidose Diabética (frequentemente euglicêmica).
O uso de inibidores da SGLT2 em pacientes com DM1 está associado a um risco significativamente aumentado de cetoacidose diabética, muitas vezes com níveis glicêmicos normais.
Os inibidores da SGLT2 revolucionaram o tratamento do DM2 devido aos benefícios cardiovasculares e renais. No entanto, no DM1, o balanço entre benefício e risco é desfavorável para a maioria. O mecanismo de ação é independente da insulina (bloqueio da reabsorção de glicose no túbulo proximal), o que ajuda no controle ponderal e pressórico, mas a modulação hormonal pró-cetogênica exige monitorização rigorosa de corpos cetônicos, algo impraticável para a população geral de diabéticos tipo 1.
Os inibidores da SGLT2 promovem glicosúria, o que leva a uma redução da glicemia e, consequentemente, a uma redução da dose de insulina exógena. No DM1, essa redução da insulina, somada ao aumento do glucagon (efeito direto do fármaco nas células alfa), altera a relação insulina/glucagon, estimulando a lipólise e a cetogênese hepática. Como a glicose continua sendo excretada na urina, o paciente pode desenvolver cetoacidose sem apresentar hiperglicemias marcantes.
A cetoacidose euglicêmica é definida pela presença de acidose metabólica (pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L) e cetonemia/cetonúria, mas com níveis de glicose plasmática normais ou apenas levemente elevados (geralmente < 250 mg/dL). É uma emergência médica perigosa porque o diagnóstico pode ser retardado devido à falta de hiperglicemia clássica, retardando o início da insulinoterapia e hidratação.
Embora alguns países tenham aprovado o uso adjuvante em casos selecionados, a maioria das diretrizes (como a da ADA e SBD) é cautelosa. O uso é contraindicado ou não recomendado para pacientes com DM1 com alto risco de cetose, usuários de bomba de insulina que frequentemente interrompem o fluxo, pacientes em dietas cetogênicas ou com consumo excessivo de álcool, devido ao risco desproporcional de cetoacidose.
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