UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Paciente de 56 anos, com hipertensão arterial desde os 50 e obesidade (IMC de 31 kg/m²), foi diagnosticado com diabetes melito tipo 2 há 1 ano. Vinha em uso de enalapril (20 mg, 2 vezes/dia), hidroclorotiazida (25 mg/dia), metformina (2.000 mg/dia) e glimepirida (4 mg, 2 vezes/dia). Foi encaminhado ao nefrologista para avaliação da função renal. Exames laboratoriais revelaram creatinina de 1,7 mg/dl (CKD-EPI de 46 ml/min), potássio de 4,9 mg/dl, HbA1c de 8,9%, albuminúria em amostra de 256 mg/l e EQU sem achados patológicos. Visto que apresenta doença renal do diabetes, recebeu, para esse diagnóstico, a prescrição de:
DM2 + DRC (TFG 46, albuminúria, HbA1c 8.9%) → Adicionar Inibidor SGLT-2 para nefroproteção e controle glicêmico.
Em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal do diabetes (DRD), especialmente com albuminúria e TFG reduzida, os inibidores do SGLT-2 são a classe de medicamentos de escolha. Eles oferecem benefícios cardiorrenais comprovados, melhorando o controle glicêmico, reduzindo a progressão da DRD e eventos cardiovasculares.
A doença renal do diabetes (DRD) é uma complicação microvascular grave e a principal causa de doença renal crônica terminal em todo o mundo. Caracteriza-se por albuminúria persistente e/ou declínio da taxa de filtração glomerular (TFG) em pacientes com diabetes. O manejo da DRD é multifacetado, envolvendo controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e lipídios, além de intervenções específicas para proteger os rins e o sistema cardiovascular. A fisiopatologia da DRD é complexa, envolvendo hiperglicemia, hipertensão intraglomerular, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), inflamação e fibrose. O diagnóstico é baseado na presença de albuminúria (relação albumina/creatinina urinária > 30 mg/g) e/ou TFG < 60 mL/min/1.73m² em pacientes diabéticos, após exclusão de outras causas de doença renal. O controle glicêmico intensivo e o bloqueio do SRAA com iECA ou BRA são pilares do tratamento. Recentemente, os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT-2) revolucionaram o manejo da DRD. Fármacos como dapagliflozina e empagliflozina demonstraram, em grandes ensaios clínicos, reduzir significativamente a progressão da doença renal, a albuminúria, o risco de insuficiência cardíaca e eventos cardiovasculares maiores em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, independentemente do controle glicêmico. Eles atuam promovendo a glicosúria e natriurese, reduzindo a hiperfiltração glomerular e exercendo efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos, tornando-se uma terapia de primeira linha para a nefroproteção em pacientes elegíveis.
Os inibidores SGLT-2 demonstraram reduzir a progressão da doença renal crônica, diminuir a albuminúria, reduzir o risco de eventos cardiovasculares maiores e hospitalizações por insuficiência cardíaca em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal.
Devem ser considerados em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica (TFG ≥ 20-25 mL/min/1.73m², dependendo do fármaco), especialmente aqueles com albuminúria, independentemente do controle glicêmico inicial. Eles são uma adição importante à terapia padrão com iECA/BRA.
As contraindicações incluem doença renal terminal ou diálise. Os efeitos adversos mais comuns são infecções genitais micóticas, infecções do trato urinário, depleção de volume e, raramente, cetoacidose diabética e amputações de membros inferiores (com canagliflozina).
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