HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2020
Uma mulher de 48 anos comparece ao ambulatório de Clínica Médica para acompanhamento médico. Está assintomática. É portadora de diabetes melito tipo 2 e faz uso regular de metformina 500mg no café da manhã, almoço e jantar, além de sinvastatina 40mg ao dia. Possui histórico de candidíase vaginal de repetição e colecistectomia. Nega tabagismo e etilismo. O exame físico não apresenta anormalidades. A paciente apresenta índice de massa corporal de 28,8 Kg/m2 . Exames de laboratório: hemoglobina glicada (HbA1c) 8,2%, glicemia de jejum 138 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta uma opção terapêutica que deveria ser evitada na prescrição desta paciente.
DM2 + candidíase vaginal de repetição → evitar Inibidor de SGLT2 devido ao risco de infecções geniturinárias.
Inibidores de SGLT2 (como dapagliflozina, empagliflozina) aumentam a glicosúria, o que, embora benéfico para o controle glicêmico e proteção cardiovascular/renal, eleva o risco de infecções fúngicas genitais e urinárias. Pacientes com histórico de candidíase de repetição devem ter essa classe evitada ou usada com extrema cautela.
O tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) envolve uma abordagem multifacetada, com o objetivo de controle glicêmico e prevenção de complicações micro e macrovasculares. A escolha da terapia farmacológica deve ser individualizada, considerando comorbidades, risco cardiovascular, risco de hipoglicemia, peso e efeitos adversos específicos de cada classe de medicamentos. A metformina é geralmente a primeira linha, mas a adição de outras classes é frequentemente necessária para atingir as metas de HbA1c. Os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2) são uma classe de medicamentos que atuam nos rins, promovendo a excreção de glicose na urina. Embora sejam eficazes no controle glicêmico e ofereçam benefícios cardiovasculares e renais, eles aumentam o risco de infecções geniturinárias, como candidíase vaginal e balanite, devido ao aumento da glicosúria. Este efeito adverso é particularmente relevante em pacientes com histórico de infecções de repetição. Portanto, em pacientes com DM2 e histórico de candidíase vaginal de repetição, a prescrição de inibidores de SGLT2 deve ser evitada ou realizada com extrema cautela e monitoramento rigoroso. Outras classes de hipoglicemiantes orais, como sulfonilureias, inibidores de DPP-4 ou agonistas de GLP-1, podem ser alternativas mais seguras nesse cenário, permitindo o controle glicêmico sem exacerbar o risco de infecções fúngicas.
Os inibidores de SGLT2 podem causar infecções geniturinárias (candidíase, ITU), desidratação, hipotensão e, raramente, cetoacidose diabética e fasceíte necrosante do períneo (gangrena de Fournier).
A glicosúria induzida pelos inibidores de SGLT2 cria um ambiente favorável para o crescimento de fungos, aumentando significativamente o risco de candidíase vaginal e balanite em pacientes suscetíveis.
Opções incluem sulfonilureias, inibidores de DPP-4, agonistas de GLP-1, tiazolidinedionas ou insulina, que não aumentam o risco de infecções geniturinárias da mesma forma que os SGLT2.
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