SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente feminina, 58 anos, portadora de HAS, obesidade e diabetes de difícil controle. Comparece para reavaliação relatando que na última consulta foi iniciada medicação para o diabetes que tanto controlou melhor os níveis medidos em domicílio, quanto causou perda ponderal de cerca de 2,5Kg (70kg > 67,5Kg). Traz exames com melhora do controle glicêmico após tal mudança. Esqueceu receita e não lembra quais medicações está tomando. Considerando o relato da paciente, qual a provável terapêutica instituída na última consulta?
DM2 + perda ponderal + melhora glicêmica → Inibidor SGLT2 (ex: Dapaglifozina).
Em pacientes com diabetes mellitus tipo 2, a melhora do controle glicêmico associada à perda ponderal sugere o uso de medicamentos como os inibidores do SGLT2 (glicozúricos), que atuam aumentando a excreção urinária de glicose, ou agonistas do GLP-1, que também promovem saciedade e redução de peso.
O tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) evoluiu significativamente, com o surgimento de novas classes de medicamentos que não apenas controlam a glicemia, mas também oferecem benefícios adicionais, como a perda ponderal e proteção cardiovascular e renal. A escolha da terapêutica deve ser individualizada, considerando as comorbidades do paciente. A paciente do caso, com HAS, obesidade e diabetes de difícil controle, que apresentou melhora glicêmica e perda ponderal, sugere fortemente o uso de um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2). Medicamentos como a dapaglifozina, empagliflozina e canagliflozina atuam nos rins, inibindo a reabsorção de glicose e promovendo sua excreção urinária (glicosúria). Esse mecanismo de ação resulta em redução da glicemia, diminuição da pressão arterial e, notavelmente, perda de peso devido à perda calórica pela glicose excretada. Outras opções que promovem perda de peso são os agonistas do receptor de GLP-1. Em contraste, a pioglitazona (tiazolidinediona) pode causar ganho de peso e a saxagliptina (inibidor DPP-4) é geralmente neutra em relação ao peso. A metformina, embora possa causar uma pequena perda de peso inicial, não é o principal mecanismo para uma perda significativa como a relatada.
Eles atuam inibindo o cotransportador SGLT2 nos túbulos renais, o que impede a reabsorção de glicose e aumenta sua excreção urinária. Essa perda de glicose na urina resulta em perda calórica e, consequentemente, perda de peso.
Além dos inibidores de SGLT2, os agonistas do receptor de GLP-1 (como liraglutida, semaglutida) também são conhecidos por promover perda de peso, principalmente por seus efeitos na saciedade e retardo do esvaziamento gástrico.
Os efeitos adversos mais comuns incluem infecções genitais micóticas e infecções do trato urinário devido à glicosúria. Desidratação e hipotensão também podem ocorrer, especialmente em idosos ou pacientes em uso de diuréticos.
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