UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente feminina, de 55 anos, veio à UBS para revisão do controle da pressão arterial e da dislipidemia. Com história de hipertensão desde os 45 anos, vinha em uso de enalapril (20 mg, 2 vezes/dia), hidroclorotiazida (25 mg/dia) e atorvastatina (40 mg/dia). Negou outras comorbidades. O exame físico indicou peso de 86 kg, altura de 156 cm e pressão arterial 128/78 mmHg; demais aspectos sem particularidades. Trouxe resultados de exames recentes, semelhantes aos anteriores: glicemia de 98 mg/dl, HbA1c de 5,6%, creatinina de 1,5 mg/dl (TFG de 42 ml/min/1,73 m²), albuminúria em amostra de 56 mg/l, colesterol total de 156 mg/dl, HDL de 38 mg/dl e triglicerídios de 152 mg/dl. Com base nos dados clínicos e laboratoriais, qual a conduta mais adequada?
Paciente com TFG ↓ e albuminúria, mesmo sem DM, beneficia-se de iSGLT-2 para proteção renal e CV.
A paciente apresenta doença renal crônica (TFG 42 ml/min/1,73 m² e albuminúria 56 mg/l), mesmo com glicemia e HbA1c normais. Os inibidores de SGLT-2 têm demonstrado benefícios renais e cardiovasculares independentes do controle glicêmico em pacientes com DRC, sendo uma conduta adequada para retardar a progressão da doença renal.
A paciente apresenta um quadro de hipertensão e dislipidemia bem controlados, mas com evidências de doença renal crônica (DRC) estágio 3a (TFG de 42 ml/min/1,73 m²) e albuminúria (56 mg/l). Embora a glicemia e a HbA1c estejam dentro dos limites normais, indicando ausência de diabetes mellitus, a presença de DRC com albuminúria é um fator de risco cardiovascular e renal significativo. Os inibidores de SGLT-2 (iSGLT-2) são uma classe de medicamentos que, inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, demonstraram robustos benefícios renais e cardiovasculares em ensaios clínicos, independentemente do status glicêmico. Eles atuam promovendo a glicosúria e natriurese, o que leva a uma redução da pressão intraglomerular e melhora da função renal a longo prazo, além de efeitos benéficos na insuficiência cardíaca e eventos cardiovasculares. Dada a TFG reduzida e a albuminúria da paciente, a introdução de um iSGLT-2 é a conduta mais adequada para oferecer proteção renal e cardiovascular adicional, retardando a progressão da DRC e melhorando o prognóstico, mesmo na ausência de diabetes. As outras opções não abordam o benefício específico dos iSGLT-2 nesse contexto de DRC e albuminúria.
Além do controle glicêmico em diabéticos, os iSGLT-2 oferecem proteção renal (redução da progressão da DRC e albuminúria) e cardiovascular (redução de eventos cardiovasculares maiores e hospitalizações por insuficiência cardíaca), independentemente da presença de diabetes.
São indicados em pacientes com DRC, com ou sem diabetes mellitus, que apresentam TFG reduzida e/ou albuminúria, para retardar a progressão da doença renal e reduzir o risco de eventos cardiovasculares.
Os iSGLT-2 atuam inibindo a reabsorção de glicose e sódio no túbulo contorcido proximal, levando a um aumento da entrega de sódio à mácula densa. Isso ativa o feedback tubuloglomerular, resultando em vasoconstrição da arteríola aferente, redução da pressão intraglomerular e diminuição da hiperfiltração, protegendo os rins.
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