PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Paciente, 54 anos de idade, com Diabetes Mellitus tipo 2 há 4 anos, dislipidemia e hipertensão arterial, iniciou uso de um inibidor do SGLT-2; 30 dias após o início da medicação realizou exames de avaliação da função renal e foi observado alterações em relação ao exame basal. Neste caso, quais são as alterações mais prováveis a serem observadas?
SGLT2i → ↑ Creatinina e ↓ TFGe inicial (dip hemodinâmico) = nefroproteção a longo prazo.
O início de iSGLT2 causa vasoconstrição da arteríola aferente via feedback tubuloglomerular, reduzindo a pressão intraglomerular, o que se traduz em queda inicial da TFGe e aumento da creatinina.
Os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2) revolucionaram o tratamento da doença renal diabética e da insuficiência cardíaca. Ao bloquear a reabsorção de glicose e sódio no túbulo proximal, eles restauram o feedback tubuloglomerular, que está classicamente 'desligado' no diabetes devido à hiper-reabsorção proximal. A restauração desse mecanismo promove vasoconstrição da arteríola aferente, combatendo a hiperfiltração glomerular patológica. Clinicamente, essa alteração hemodinâmica manifesta-se como um aumento agudo da creatinina e redução da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe). É fundamental que o médico residente reconheça esse fenômeno como um marcador de eficácia terapêutica e proteção renal futura, evitando a suspensão desnecessária da droga, a menos que a queda da TFGe ultrapasse limites de segurança estabelecidos (geralmente >30%).
O aumento da creatinina ocorre devido ao 'dip' hemodinâmico. Os iSGLT2 aumentam a oferta de sódio à mácula densa, ativando o feedback tubuloglomerular. Isso causa vasoconstrição da arteríola aferente, reduzindo a hiperfiltração glomerular e a pressão intraglomerular. Essa redução funcional da filtração eleva levemente a creatinina plasmática de forma reversível, mas protege o néfron contra o dano barométrico a longo prazo.
Espera-se uma redução inicial da TFGe entre 10% a 30% nas primeiras 4 semanas. Se a queda for superior a 30%, deve-se investigar outras causas, como hipovolemia severa ou uso concomitante de outros fármacos nefrotóxicos, mas quedas leves são fisiológicas para a classe.
Não, o efeito é funcional e hemodinâmico. Após a fase inicial de estabilização, a curva de declínio da TFGe em pacientes usando iSGLT2 torna-se muito mais lenta do que em pacientes não tratados, preservando a função renal por mais tempo. Se a droga for suspensa, a TFGe tende a retornar aos níveis basais rapidamente.
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