MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um homem de 62 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, retorna ao consultório para revisão laboratorial após o início de terapia com Enalapril (10 mg, duas vezes ao dia) para controle pressórico e nefroproteção. O paciente não apresenta queixas clínicas, mas seus exames de sangue revelam um aumento nos níveis séricos de potássio, que subiram de 4,2 mEq/L para 5,4 mEq/L em três semanas. A função renal, avaliada pela creatinina, permanece estável e dentro da faixa de variação esperada para o início dessa terapia. Considerando o mecanismo de ação do fármaco prescrito no Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA), qual é o principal evento fisiológico responsável pela alteração eletrolítica observada?
Sempre monitore o potássio sérico e a função renal 1 a 2 semanas após iniciar um IECA ou BRA, especialmente em idosos, diabéticos ou pacientes com doença renal crônica pré-existente.
Os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), como o Enalapril, são pilares no tratamento da hipertensão e na nefroproteção de pacientes diabéticos. Seu benefício advém da redução da resistência vascular periférica e da pressão intraglomerular. No entanto, ao bloquear a conversão de Angiotensina I em Angiotensina II, ocorre uma redução reflexa na síntese de aldosterona pelo córtex da adrenal. A aldosterona atua nos ductos coletores renais promovendo a reabsorção de sódio e a secreção de potássio e prótons. Com menos aldosterona circulante, a capacidade do rim de excretar potássio diminui, levando à hipercalemia. Este efeito é dose-dependente e mais comum em pacientes com doença renal crônica prévia ou em uso de outros medicamentos que interferem no eixo RAA. O monitoramento laboratorial nas primeiras semanas de terapia é essencial para garantir a segurança do paciente.
Diabéticos frequentemente apresentam hipoaldosteronismo hiporeninêmico, o que já compromete a excreção de potássio antes mesmo do início da droga.
Geralmente tolera-se até 5,5 mEq/L; valores acima disso exigem revisão da dieta, suspensão de outros fármacos hipercalemiantes ou redução da dose.
Sim, pois ao bloquearem o receptor AT1, eles também impedem que a angiotensina II estimule a secreção de aldosterona.
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