IECA na Doença Renal Crônica: Riscos e Complicações Agudas

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Qual é a principal complicação relacionada ao uso prolongado de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) em pacientes com doença renal crônica?

Alternativas

  1. A) Hipercalemia.
  2. B) Hiponatremia.
  3. C) Insuficiência renal aguda.
  4. D) Hipotensão ortostática

Pérola Clínica

IECA na DRC: Risco de IRA funcional por vasodilatação da arteríola eferente e queda da TFG.

Resumo-Chave

Os IECAs reduzem a pressão intraglomerular ao dilatar a arteríola eferente; em pacientes com DRC e perfusão renal limítrofe, isso pode causar uma queda abrupta da taxa de filtração glomerular e IRA.

Contexto Educacional

O uso de Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) na Doença Renal Crônica (DRC) é um paradoxo terapêutico clássico: são as drogas de escolha para nefroproteção (especialmente em nefropatias proteinúricas), mas são causas frequentes de piora aguda da função renal. A compreensão da hemodinâmica renal é vital para o manejo desses pacientes. A redução da proteinúria ocorre justamente pela diminuição da pressão intraglomerular, mas há um limiar tênue entre o benefício terapêutico e a falência funcional. O monitoramento rigoroso da creatinina e do potássio sérico nas primeiras 1-2 semanas após o início da terapia é o padrão-ouro para garantir a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que o IECA pode causar insuficiência renal aguda na DRC?

O mecanismo é hemodinâmico. A angiotensina II promove a vasoconstrição preferencial da arteríola eferente do glomérulo, o que mantém a pressão de filtração necessária para a formação da urina. Ao bloquear a produção de angiotensina II, os IECAs promovem a vasodilatação da arteríola eferente, reduzindo a pressão intraglomerular. Em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), especialmente aqueles com estenose de artéria renal bilateral ou hipovolemia, essa queda na pressão pode ser tão acentuada que a taxa de filtração glomerular (TFG) despenca, resultando em insuficiência renal aguda funcional.

Qual o manejo da hipercalemia associada ao uso de IECA?

A hipercalemia é uma complicação comum, pois o IECA reduz a secreção de aldosterona, diminuindo a excreção renal de potássio. O manejo inicial inclui a orientação de uma dieta pobre em potássio e a revisão de outros medicamentos que possam elevar o potássio (como poupadores de potássio ou AINEs). Se o potássio sérico exceder 5,5 mEq/L de forma persistente apesar das medidas dietéticas, a dose do IECA deve ser reduzida ou o medicamento suspenso. O uso de quelantes de potássio pode ser considerado em casos selecionados para manter a terapia nefroprotetora com IECA.

Quando suspender o IECA devido ao aumento da creatinina?

As diretrizes sugerem que um aumento de até 30% nos níveis de creatinina sérica em relação à linha de base após o início ou aumento da dose de IECA é aceitável e não indica lesão renal estrutural, mas sim o efeito hemodinâmico esperado. No entanto, se o aumento for superior a 30% ou se houver uma queda acentuada na TFG, o clínico deve investigar causas precipitantes (como desidratação ou uso de AINEs), reduzir a dose ou suspender o medicamento temporariamente até a estabilização da função renal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo