SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Qual é a principal complicação relacionada ao uso prolongado de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) em pacientes com doença renal crônica?
IECA na DRC: Risco de IRA funcional por vasodilatação da arteríola eferente e queda da TFG.
Os IECAs reduzem a pressão intraglomerular ao dilatar a arteríola eferente; em pacientes com DRC e perfusão renal limítrofe, isso pode causar uma queda abrupta da taxa de filtração glomerular e IRA.
O uso de Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) na Doença Renal Crônica (DRC) é um paradoxo terapêutico clássico: são as drogas de escolha para nefroproteção (especialmente em nefropatias proteinúricas), mas são causas frequentes de piora aguda da função renal. A compreensão da hemodinâmica renal é vital para o manejo desses pacientes. A redução da proteinúria ocorre justamente pela diminuição da pressão intraglomerular, mas há um limiar tênue entre o benefício terapêutico e a falência funcional. O monitoramento rigoroso da creatinina e do potássio sérico nas primeiras 1-2 semanas após o início da terapia é o padrão-ouro para garantir a segurança do paciente.
O mecanismo é hemodinâmico. A angiotensina II promove a vasoconstrição preferencial da arteríola eferente do glomérulo, o que mantém a pressão de filtração necessária para a formação da urina. Ao bloquear a produção de angiotensina II, os IECAs promovem a vasodilatação da arteríola eferente, reduzindo a pressão intraglomerular. Em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), especialmente aqueles com estenose de artéria renal bilateral ou hipovolemia, essa queda na pressão pode ser tão acentuada que a taxa de filtração glomerular (TFG) despenca, resultando em insuficiência renal aguda funcional.
A hipercalemia é uma complicação comum, pois o IECA reduz a secreção de aldosterona, diminuindo a excreção renal de potássio. O manejo inicial inclui a orientação de uma dieta pobre em potássio e a revisão de outros medicamentos que possam elevar o potássio (como poupadores de potássio ou AINEs). Se o potássio sérico exceder 5,5 mEq/L de forma persistente apesar das medidas dietéticas, a dose do IECA deve ser reduzida ou o medicamento suspenso. O uso de quelantes de potássio pode ser considerado em casos selecionados para manter a terapia nefroprotetora com IECA.
As diretrizes sugerem que um aumento de até 30% nos níveis de creatinina sérica em relação à linha de base após o início ou aumento da dose de IECA é aceitável e não indica lesão renal estrutural, mas sim o efeito hemodinâmico esperado. No entanto, se o aumento for superior a 30% ou se houver uma queda acentuada na TFG, o clínico deve investigar causas precipitantes (como desidratação ou uso de AINEs), reduzir a dose ou suspender o medicamento temporariamente até a estabilização da função renal.
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