USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente, 55 anos, com antecedente de câncer de mama tratado há 2 anos por quadrantectomia mamária e radioterapia, sem necessidade de quimioterapia, mas em uso regular de inibidor de aromatase. Considerando que os efeitos colaterais dessa medicação se fizeram presentes, assinale qual é o medicamento adequado.
Inibidores de aromatase → privação estrogênica → osteoporose. Tratar/prevenir com bifosfonatos.
Inibidores de aromatase são eficazes no tratamento do câncer de mama hormônio-positivo pós-menopausa, mas causam privação estrogênica, levando a efeitos colaterais como osteoporose. O manejo dessa complicação é feito com bifosfonatos, que ajudam a preservar a densidade óssea e reduzir o risco de fraturas.
O câncer de mama hormônio-positivo é o subtipo mais comum, e a terapia endócrina desempenha um papel crucial no seu tratamento adjuvante, especialmente em mulheres pós-menopausa. Os inibidores de aromatase (IAs), como anastrozol, letrozol e exemestano, são a base dessa terapia, pois bloqueiam a produção de estrogênio, privando as células tumorais de seu estímulo de crescimento. Embora altamente eficazes, os IAs estão associados a uma série de efeitos colaterais, sendo a perda óssea e o aumento do risco de osteoporose e fraturas um dos mais clinicamente relevantes. A fisiopatologia da perda óssea induzida por IAs reside na supressão quase completa dos níveis de estrogênio. O estrogênio é um hormônio protetor do osso, e sua deficiência leva a um aumento da atividade osteoclástica (reabsorção óssea) sem um aumento compensatório na formação óssea, resultando em uma diminuição progressiva da densidade mineral óssea. O diagnóstico da osteoporose é feito por densitometria óssea (DXA), e o rastreamento é recomendado antes e durante o tratamento com IAs. O manejo dos efeitos colaterais dos IAs é essencial para garantir a adesão ao tratamento e a qualidade de vida da paciente. Para a osteoporose, os bifosfonatos (como alendronato, risedronato, zoledronato) são a classe de medicamentos de escolha. Eles atuam inibindo a reabsorção óssea pelos osteoclastos, ajudando a manter ou aumentar a densidade mineral óssea e a reduzir o risco de fraturas. Além disso, medidas como suplementação de cálcio e vitamina D, exercícios com carga e modificações no estilo de vida são importantes. O acompanhamento multidisciplinar, incluindo oncologistas, endocrinologistas e ginecologistas, é fundamental para otimizar o tratamento e o manejo dos efeitos adversos.
Os inibidores de aromatase podem causar fogachos, artralgia, mialgia, fadiga e, significativamente, perda de densidade óssea que pode levar à osteopenia e osteoporose devido à privação estrogênica.
Os inibidores de aromatase bloqueiam a conversão de androgênios em estrogênios em tecidos periféricos, resultando em níveis muito baixos de estrogênio. A privação estrogênica acelera a reabsorção óssea, levando à perda de densidade mineral óssea e ao risco de osteoporose.
Os bifosfonatos são utilizados para prevenir e tratar a osteoporose induzida por inibidores de aromatase, reduzindo a reabsorção óssea e mantendo a densidade mineral óssea, diminuindo assim o risco de fraturas em pacientes com câncer de mama.
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