CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2017
Qual paciente glaucomatoso, abaixo, deve evitar o controle da pressão intraocular com colírios contendo inibidores da anidrase carbônica?
Inibidores da anidrase carbônica = derivados de sulfonamida → evitar em alérgicos a sulfa.
Medicamentos como acetazolamida e dorzolamida possuem estrutura química similar às sulfonamidas, podendo causar reações de hipersensibilidade cruzada em pacientes alérgicos a sulfa.
Os inibidores da anidrase carbônica atuam reduzindo a produção do humor aquoso pelo corpo ciliar, bloqueando a enzima que catalisa a hidratação do dióxido de carbono. No glaucoma, essa redução é crucial para diminuir a pressão intraocular (PIO). No entanto, a segurança farmacológica exige atenção à estrutura molecular desses fármacos, que compartilham o grupo funcional sulfonamida. A contraindicação em pacientes alérgicos a sulfa é um tema clássico em provas de residência e na prática clínica. Embora a incidência de reações graves com colírios tópicos seja menor do que com a acetazolamida oral, a recomendação padrão é evitar o uso em pacientes com histórico de hipersensibilidade conhecida. Além da alergia, deve-se monitorar a função renal e os eletrólitos em pacientes em uso sistêmico prolongado.
Os inibidores da anidrase carbônica (IACs), tanto sistêmicos (acetazolamida) quanto tópicos (dorzolamida, brinzolamida), são derivados químicos das sulfonamidas. Devido a essa semelhança estrutural, existe um risco teórico e documentado de hipersensibilidade cruzada. Pacientes com histórico de reações graves a antibióticos do grupo sulfa (como o sulfametoxazol) podem desenvolver reações alérgicas similares, variando de dermatites a quadros graves como a síndrome de Stevens-Johnson, ao utilizar IACs.
A acetazolamida é um diurético fraco que pode causar parestesias (formigamento em extremidades), acidose metabólica hiperclorêmica, hipocalemia, fadiga, anorexia e alterações no paladar (gosto metálico para bebidas carbonatadas). Em casos raros, pode levar a discrasias sanguíneas e formação de cálculos renais. Por esses motivos, seu uso crônico é limitado, sendo preferida a terapia tópica ou outras classes de hipotensores.
Para o controle da pressão intraocular nesses pacientes, deve-se priorizar outras classes de medicamentos que não possuam relação estrutural com as sulfonamidas. As opções de primeira linha incluem os análogos de prostaglandina (latanoprosta, bimatoprosta), betabloqueadores (timolol) e alfa-agonistas (brimonidina). Se o controle clínico falhar, procedimentos a laser (trabeculoplastia seletiva) ou cirurgias filtrantes podem ser indicados.
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