CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a alternativa correta em relação ao uso oftalmológico dos inibidores de anidrase carbônica:
Inibidores da anidrase carbônica + diuréticos → ↑ Risco de Hipocalemia grave.
Os inibidores da anidrase carbônica reduzem a PIO ao diminuir a produção de humor aquoso no corpo ciliar; o uso sistêmico exige cautela com o equilíbrio hidroeletrolítico.
Os inibidores da anidrase carbônica (IAC) representam uma classe farmacológica vital na oftalmologia. A anidrase carbônica catalisa a hidratação do CO2 em H2CO3, que se dissocia em H+ e HCO3-. No olho, o bicarbonato é essencial para a secreção ativa do humor aquoso. A inibição de mais de 99% da atividade enzimática é necessária para uma redução clínica efetiva da PIO. Clinicamente, a interação medicamentosa é um ponto crítico. Pacientes idosos frequentemente utilizam diuréticos tiazídicos ou de alça; a adição de acetazolamida pode exacerbar a perda de potássio, levando a arritmias e fraqueza muscular. Além disso, por serem derivados de sulfonamidas, deve-se ter cautela em pacientes com histórico de alergia grave a sulfa, embora a sensibilidade cruzada seja debatida.
Eles atuam inibindo a enzima anidrase carbônica (principalmente a isoenzima II) presente no epitélio não pigmentado do corpo ciliar. Esta enzima é crucial para a formação de íons bicarbonato, que por sua vez impulsionam o transporte ativo de sódio e água para a câmara posterior. Ao inibir esse processo, ocorre uma redução significativa (cerca de 40-50%) na taxa de formação do humor aquoso, resultando na queda da pressão intraocular.
A acetazolamida (Diamox) pode causar parestesias (formigamento em extremidades), fadiga, anorexia, alterações no paladar (gosto metálico para bebidas carbonatadas) e acidose metabólica hiperclorêmica. Complicações mais graves incluem cálculos renais, discrasias sanguíneas raras e hipocalemia, especialmente perigosa em pacientes que já utilizam diuréticos depletores de potássio para hipertensão ou insuficiência cardíaca.
Sim. Inibidores tópicos como a dorzolamida e brinzolamida têm menos efeitos colaterais sistêmicos, mas são menos potentes na redução da PIO em comparação com a acetazolamida oral. O uso sistêmico é geralmente reservado para casos agudos (como crise de fechamento angular) ou glaucoma avançado não controlado com medicação tópica máxima, devido ao perfil de tolerabilidade do paciente a longo prazo.
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