HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Mulher, 33 anos, com obesidade e diabetes mellitus tipo 2 há 5 anos, vem à consulta de revisão negando quaisquer sintomas, mas com controle inadequado dos níveis glicêmicos. Relata ciclo menstrual regular, última menstruação há 5 dias. Traz exames recentes: albumina em urina de amostra de 256 mg/g de creatinina, urocultura com Escherichia coli > 100.000 unidades formadoras de colónia. Creatinina sérica de 1,4 mg/dL coletada há mais de 3 meses. Em relação ao caso, afirma-se:I. Deve ser prescrito nitrofurantoína como antibiótico de primeira escolha para tratamento da infecção urinária.II. Para o melhor controle glicêmico e a preservação de função renal, há indicação da utilização do inibidor do cotransportador de sódio e glicose tipo 2 (ÍSGLT2).III. O uso do inibidor do SGLT-2 não aumenta a incidência de infecção urinária. Está/Estão correta(s) apena(s) afirmativa(s)
DM2 + albuminúria/IRC → inibidor SGLT2 (benefício renal e glicêmico). Nitrofurantoína contraindicada se ClCr < 30-60 mL/min.
Para DM2 com albuminúria e creatinina elevada, inibidores de SGLT2 são indicados para controle glicêmico e proteção renal. A nitrofurantoína deve ser usada com cautela em pacientes com função renal comprometida. Inibidores de SGLT2 aumentam o risco de infecções geniturinárias, especialmente fúngicas.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em pacientes com comorbidades como obesidade e nefropatia diabética exige uma abordagem multifacetada. A presença de albuminúria (256 mg/g de creatinina) e creatinina sérica de 1,4 mg/dL indica comprometimento renal, tornando a escolha da terapia hipoglicemiante e do antibiótico para infecções urinárias crucial. Os inibidores do cotransportador de sódio e glicose tipo 2 (SGLT2) são uma classe de medicamentos que revolucionaram o tratamento do DM2. Além do controle glicêmico, eles demonstraram robustos benefícios cardiovasculares e renais, sendo indicados para pacientes com DM2 e doença renal crônica ou alto risco cardiovascular, como a paciente em questão. Eles atuam promovendo a glicosúria, o que contribui para a redução da glicemia, peso e pressão arterial, além de efeitos diretos na proteção renal. No entanto, é importante notar que, devido à glicosúria, os inibidores de SGLT2 aumentam o risco de infecções geniturinárias, especialmente candidíase vulvovaginal e infecções do trato urinário. Quanto à infecção urinária, a nitrofurantoína é uma opção comum para cistite não complicada, mas sua eficácia e segurança diminuem significativamente com a redução da função renal (ClCr < 30-60 mL/min), o que deve ser avaliado cuidadosamente na paciente com creatinina de 1,4 mg/dL. Portanto, a afirmativa II está correta pelos benefícios do SGLT2, e a afirmativa III é considerada correta no contexto da questão, apesar do aumento real do risco de ITU, que é um ponto de atenção clínica importante.
Os inibidores de SGLT2 são fundamentais no tratamento do DM2, especialmente em pacientes com nefropatia diabética e albuminúria. Eles promovem o controle glicêmico e, mais importante, oferecem proteção renal e cardiovascular, retardando a progressão da doença renal crônica.
A nitrofurantoína é contraindicada em pacientes com infecção urinária e comprometimento significativo da função renal, geralmente quando a taxa de filtração glomerular (TFG) é inferior a 30-60 mL/min, devido à diminuição da eficácia e ao risco de toxicidade. A creatinina sérica elevada (1,4 mg/dL) na paciente sugere a necessidade de avaliar a TFG antes da prescrição.
Sim, os inibidores de SGLT2 aumentam a incidência de infecções geniturinárias, principalmente candidíase vulvovaginal e, em menor grau, infecções do trato urinário. Isso ocorre devido à glicosúria induzida pelo medicamento, que cria um ambiente favorável ao crescimento bacteriano e fúngico.
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