UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2020
Uma puérpera de primeira gestação, ansiosa, no décimo dia de puerpério, comparece ao atendimento referindo dor mamária e febre não aferida. Ao exame físico, a mama direita apresenta-se dolorosa, endurecida, sem sinais flogísticos. A temperatura axilar é de 37,3 graus C. A conduta que não se aplica nesse momento é:
Dor mamária, endurecimento, febre baixa sem flogose no puerpério = ingurgitamento/mastite não infecciosa. Conduta: esvaziamento, compressas, AINEs. Antibiótico NÃO é inicial.
Os sintomas descritos (dor, endurecimento, febre baixa, sem sinais flogísticos claros) são mais consistentes com ingurgitamento mamário ou uma mastite não infecciosa inicial. Nesses casos, a conduta primária envolve esvaziamento mamário eficaz, compressas (geladas para alívio da dor/edema) e anti-inflamatórios. Antibióticos são reservados para mastite infecciosa, que geralmente apresenta sinais flogísticos evidentes e febre mais alta.
A dor mamária no puerpério é uma queixa comum que pode variar desde um ingurgitamento mamário fisiológico até uma mastite infecciosa. A diferenciação entre essas condições é crucial para um manejo adequado e para evitar o uso desnecessário de antibióticos. O ingurgitamento mamário ocorre pelo acúmulo excessivo de leite e edema, geralmente nos primeiros dias ou semanas pós-parto, manifestando-se como mamas dolorosas, endurecidas e inchadas, podendo cursar com febre baixa. A mastite não infecciosa, por sua vez, é uma inflamação da mama que pode ser uma progressão do ingurgitamento ou causada por estase láctea, sem infecção bacteriana inicial. Os sintomas são semelhantes ao ingurgitamento, mas podem ser mais localizados e intensos, com febre que geralmente não ultrapassa 38,5°C e ausência de sinais flogísticos clássicos (rubor intenso, calor localizado). A conduta para ingurgitamento e mastite não infecciosa é primariamente conservadora, focando no esvaziamento mamário eficaz e frequente, seja pela amamentação ou ordenha. Compressas geladas podem aliviar a dor e o edema, e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) orais são úteis para controlar a dor e a inflamação. Antibióticos são reservados para casos de mastite infecciosa comprovada, caracterizada por sinais flogísticos evidentes e febre alta, geralmente causada por Staphylococcus aureus.
O ingurgitamento mamário é caracterizado por mamas dolorosas, endurecidas, inchadas e quentes, geralmente bilateralmente, com febre baixa ou ausente. Ocorre devido ao acúmulo excessivo de leite e edema, sem infecção bacteriana.
A conduta inicial foca no esvaziamento mamário eficaz (amamentação frequente ou ordenha), compressas geladas para alívio da dor e edema, e analgésicos/anti-inflamatórios orais. Antibióticos não são indicados nesta fase.
Antibióticos são indicados quando há sinais claros de mastite infecciosa, como eritema localizado, calor, dor intensa, endurecimento e febre alta (>38,5°C), ou quando os sintomas não melhoram após 12-24 horas de manejo conservador para ingurgitamento/mastite não infecciosa.
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