Ingestão de Soda Cáustica: Conduta e EDA na Pediatria

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Criança de 2 anos chega ao PS com história de ingestão de soda cáustica em flocos há 12 horas. EF: BEG, eupneica, presença de queimadura em lábios e cavidade oral. A conduta é:

Alternativas

  1. A) EDA.
  2. B) Liberação de dieta, e se boa aceitação, alta após período de observação.
  3. C) Gastrostomia cirúrgica.
  4. D) Passagem de sonda nasogástrica.

Pérola Clínica

Ingestão de cáusticos + lesão oral ou sintomas → EDA em 12-24h (máximo 48h).

Resumo-Chave

A endoscopia digestiva alta é o padrão-ouro para avaliar a extensão da lesão esofágica após ingestão de cáusticos, devendo ser realizada preferencialmente entre 12 e 24 horas.

Contexto Educacional

A ingestão de álcalis, como a soda cáustica, provoca necrose de liquefação, que permite a penetração profunda do agente nos tecidos, ao contrário dos ácidos que causam necrose de coagulação. O manejo inicial foca na estabilização clínica e na avaliação da gravidade via EDA. A classificação de Zargar é utilizada para estratificar o risco: lesões grau I e IIa têm bom prognóstico, enquanto IIb e III apresentam alto risco de estenose crônica ou perfuração aguda. O uso de corticoides é controverso e geralmente reservado para lesões grau IIb em protocolos específicos.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo ideal para realizar a EDA após ingestão de cáusticos?

O tempo ideal é entre 12 e 24 horas após a ingestão. Realizar antes de 12 horas pode subestimar a extensão da lesão, enquanto após 48 horas o risco de perfuração iatrogênica aumenta significativamente devido à fragilidade da parede esofágica na fase de necrose.

Pode-se passar sonda nasogástrica (SNG) nesses pacientes?

A passagem de SNG às cegas é contraindicada na fase aguda pelo risco de perfuração. Se necessária para alimentação ou manutenção do lúmen, deve ser posicionada sob visão endoscópica durante o procedimento de avaliação inicial.

A ausência de lesões orais exclui lesão esofágica?

Não. Até 10-30% das crianças sem lesões visíveis na cavidade oral podem apresentar lesões esofágicas significativas. Por isso, a história clínica de ingestão de substâncias potentes ou a presença de sintomas (sialorreia, disfagia) impõe a investigação endoscópica.

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