Manejo da Ingestão de Cáusticos e Papel da Endoscopia

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 30 anos, trazida para a unidade de pronto atendimento em hospital secundário após tentativa de suicídio por meio de ingesta de soda cáustica. Conforme relato de familiares, foi encontrada em estado de confusão mental há cerca de três horas. A ingesta não foi testemunhada, mas estima-se que pelo menos 400ml do galão de soda cáustica esteja faltando. O exame inicial, após as medidas de suporte respiratório e ressuscitação volêmica, evidencia que a paciente tem sinais de queimaduras em região de orofaringe. Como primeiras medidas de atendimento para este caso, assinale o item mais correto entre as alternativas a seguir:

Alternativas

  1. A) Abordagem cirúrgica imediata por laparotomia exploratória.
  2. B) Jejum e passagem de sonda nasogástrica com infusão salina.
  3. C) Jejum com administração de carvão ativado via sonda nasogástrica.
  4. D) Jejum e endoscopia digestiva alta seriada entre 3 e 24 horas após admissão.

Pérola Clínica

Ingestão de cáusticos → EDA entre 6-24h; contraindicado: vômitos, lavagem gástrica ou carvão ativado.

Resumo-Chave

O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e avaliação da extensão da lesão via EDA precoce. Intervenções cegas como sondas ou neutralizantes aumentam o risco de perfuração.

Contexto Educacional

A ingestão de álcalis fortes, como a soda cáustica (hidróxido de sódio), provoca necrose por liquefação, que penetra profundamente nos tecidos ao saponificar gorduras e desidratar células. Isso difere dos ácidos, que causam necrose por coagulação, criando uma escara que limita a penetração profunda. No pronto atendimento, após estabilização das vias aéreas e ressuscitação volêmica, a paciente deve ser mantida em jejum absoluto. A passagem de sonda nasogástrica é controversa e, se indicada, deve ser feita sob visão endoscópica. A EDA é o exame padrão-ouro para definir a conduta: pacientes com lesões leves podem receber alta, enquanto lesões graves exigem internação, antibioticoterapia (se houver suspeita de translocação/perfuração) e suporte nutricional (frequentemente via jejunostomia).

Perguntas Frequentes

Qual o tempo ideal para realizar a EDA após ingestão de cáusticos?

A endoscopia digestiva alta (EDA) deve ser realizada preferencialmente entre 6 e 24 horas após a ingestão. Realizá-la antes de 6 horas pode subestimar a gravidade da lesão, enquanto após 48 horas o risco de perfuração iatrogênica aumenta significativamente devido à fase de necrose por liquefação e fragilidade tecidual (fase de granulação).

Por que o carvão ativado e a lavagem gástrica são contraindicados?

O carvão ativado não adere a substâncias cáusticas (ácidos ou álcalis fortes) e sua presença na luz esofágica/gástrica impede a avaliação adequada pela endoscopia. A lavagem gástrica e a indução de vômitos são contraindicadas pois promovem uma segunda exposição da mucosa esofágica ao agente corrosivo e aumentam o risco de perfuração e aspiração pulmonar.

O que é a Classificação de Zargar?

É a escala endoscópica utilizada para graduar a gravidade das lesões por cáusticos. Varia de Grau 0 (normal) a Grau 3 (necrose extensa). Lesões Grau 1 e 2a têm excelente prognóstico, enquanto Grau 2b e 3 têm alto risco de formação de estenoses crônicas e perfuração aguda, exigindo vigilância intensiva ou cirurgia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo