AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
A ingestão de substâncias cáusticas em pediatria é responsável por significativa sobrecarga nos recursos de cuidados de saúde. As sequelas são esofagite, necrose, perfuração e estenose. Sobre esta situação assinale a alternativa correta:
Ingestão cáustica + Sintomas → EDA obrigatória (24-48h) para avaliar lesão.
A ausência de lesões orais não exclui dano esofágico. A EDA é essencial em pacientes sintomáticos para graduar a lesão e definir o prognóstico.
A ingestão acidental de cáusticos é uma emergência pediátrica comum com potencial de sequelas permanentes, como a estenose esofágica. O manejo inicial foca na estabilização clínica e na manutenção do jejum. É um erro comum acreditar que a ausência de queimaduras na boca exclui lesão no esôfago; até 10-30% das crianças sem lesões orais podem ter lesões esofágicas significativas. A classificação de Zargar é utilizada durante a EDA para estratificar o risco: lesões grau I e IIa geralmente têm bom prognóstico, enquanto IIb e III apresentam alto risco de evolução para estenose, exigindo acompanhamento rigoroso e, por vezes, intervenções como dilatações esofágicas futuras.
A indução do vômito é contraindicada porque provoca uma segunda passagem da substância cáustica pelo esôfago e orofaringe, agravando as lesões teciduais. Além disso, aumenta o risco de aspiração pulmonar do agente químico, o que pode causar pneumonite química grave e insuficiência respiratória.
Substâncias alcalinas (como soda cáustica) causam necrose por liquefação, que penetra profundamente nos tecidos, atravessando a parede esofágica com maior facilidade. Substâncias ácidas causam necrose por coagulação, que forma uma escara protetora limitando a penetração profunda, embora possam causar danos gástricos graves devido ao espasmo pilórico.
A EDA deve ser realizada em todas as crianças sintomáticas (sialorreia, disfagia, dor abdominal, vômitos) ou naquelas com lesões orais evidentes, idealmente entre 24 e 48 horas após a ingestão. Realizá-la muito cedo pode não mostrar a extensão total da lesão, e após 48-72 horas o risco de perfuração iatrogênica aumenta devido à fragilidade tecidual na fase de cicatrização.
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