HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Paciente 43 anos, masculino, foi levado ao pronto-socorro sialorreico, com história de ingestão inadvertida de substância corrosiva. A. Via aérea pérvia e lesões abrasivas em face. Sialorreia em grande quantidade. B. Ausculta pulmonar normal. SatO₂: 100% a.a. FR: 24 ipm. C. PA: 140 x 90 mmHg, tempo de enchimento capilar < 2s bulhas rítmicas. Abdome doloroso à palpação de epigástrio sem sinais de irritação peritoneal. D. GCS13 PIFR, sem déficits focais. E. Sem alterações. O doente foi intubado durante atendimento primário para proteção de via aérea. Paciente sem antecedentes conhecidos e encaminhado à UTI. Laboratório: Hb: 14,6 g/dL, Leucócitos: 22.800/mm³, Cr: 1,08 mg/dL, pH: 7,29, pO₂: 33 mmHg, HCO₃: 18 mmHg, pCO₂: 38 mmHg, BE: -7.7, lactato: 74,3 mmol/L. Próximo passo na investigação, dentre os abaixo, deve ser:
Ingestão corrosiva com sinais sistêmicos/via aérea comprometida → estabilizar, intubar, TC tórax/abdome para extensão da lesão.
Paciente com ingestão de substância corrosiva e sinais de gravidade (sialorreia, comprometimento de via aérea, acidose metabólica, lactato elevado) necessita de estabilização imediata, proteção de via aérea e investigação da extensão da lesão. A tomografia de tórax e abdome é crucial para avaliar lesões extraluminais e estadiar a gravidade.
A ingestão de substâncias corrosivas é uma emergência médica grave, frequentemente associada a tentativas de suicídio em adultos ou acidentes em crianças. Essas substâncias, que podem ser ácidos ou álcalis, causam lesões por necrose de coagulação (ácidos) ou necrose de liquefação (álcalis), afetando principalmente o esôfago e o estômago, mas também a orofaringe e a via aérea. A morbimortalidade é alta devido a complicações agudas e tardias. O manejo inicial foca na estabilização do paciente, com especial atenção à proteção da via aérea, que pode ser comprometida por edema orofaríngeo ou laríngeo, como indicado pela sialorreia e estridor. Exames laboratoriais, como hemograma, eletrólitos, gasometria e lactato, são cruciais para avaliar a extensão do dano sistêmico, como a acidose metabólica e o choque. A tomografia computadorizada de tórax e abdome é o próximo passo fundamental para avaliar a extensão da lesão transmural e extraluminal, identificar perfurações e guiar a conduta. A endoscopia digestiva alta (EDA) é essencial para o estadiamento da lesão da mucosa, mas deve ser realizada com cautela e geralmente postergada para 12-24 horas após a ingestão, e apenas após a exclusão de perfuração por tomografia. A passagem de sonda gástrica é contraindicada devido ao risco de perfuração. O tratamento é de suporte, com analgesia, antiácidos e, em casos selecionados, antibióticos e corticoides, embora o uso destes últimos seja controverso. Complicações tardias incluem estenoses esofágicas, que podem exigir dilatações ou cirurgia.
Sialorreia, disfagia, dor retroesternal ou abdominal, vômitos, estridor, dispneia, sinais de choque, acidose metabólica e leucocitose são indicativos de lesão grave e possível comprometimento sistêmico.
A tomografia de tórax e abdome é essencial para avaliar a extensão da lesão para além da mucosa, identificar perfurações, mediastinite, peritonite e avaliar o acometimento de órgãos adjacentes, auxiliando no estadiamento da lesão.
A EDA é indicada para estadiar a lesão da mucosa esofágica e gástrica, geralmente entre 12-24 horas após a ingestão, após a estabilização do paciente e exclusão de perfuração por exames de imagem.
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