Corpo Estranho Esofágico Pediátrico: Conduta Urgente

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 1 ano, sexo masculino, é trazido ao pronto atendimento após ter engolido uma moeda, há cerca de 30 minutos. Ao exame clínico, paciente em bom estado geral, sem sinais de desconforto respiratório, apresentando dificuldade de engolir saliva e engasgos. Alimentou-se a última vez há 2 horas.Foi realizada radiografia de tórax com a imagem apresentada. Qual a conduta a ser realizada? 

Alternativas

  1. A) Endoscopia digestiva alta após jejum apropriado e em até 24 horas.
  2. B) Endoscopia digestiva alta em até 2 horas. 
  3. C) Observação domiciliar com radiografia de tórax a cada 3 dias. 
  4. D) Observação hospitalar com radiografia de tórax diária. 

Pérola Clínica

Moeda impactada esôfago pediátrico + sintomas = EDA urgente (<2h se sintomático, <6h se assintomático).

Resumo-Chave

A ingestão de corpo estranho em crianças, especialmente moedas impactadas no esôfago, é uma emergência. A presença de sintomas como dificuldade de engolir saliva e engasgos indica obstrução esofágica e exige remoção endoscópica urgente, idealmente em até 2 horas, para evitar complicações como necrose por pressão ou aspiração.

Contexto Educacional

A ingestão de corpo estranho é uma ocorrência comum na pediatria, sendo o esôfago o local mais frequente de impactação em crianças. Moedas são os objetos mais comumente engolidos. A avaliação inicial deve incluir a história detalhada, exame físico para sinais de desconforto e radiografias simples de tórax e abdome para localizar o objeto. A distinção entre corpo estranho traqueal (geralmente visto de perfil) e esofágico (geralmente visto de frente) é crucial. A conduta para corpo estranho esofágico depende do tipo de objeto, localização e presença de sintomas. Objetos impactados no esôfago, especialmente moedas, são considerados uma emergência. Se o paciente estiver sintomático (dificuldade de engolir saliva, engasgos, dor), a remoção endoscópica deve ser realizada o mais rápido possível, idealmente em até 2 horas, para evitar complicações graves como necrose por pressão, perfuração ou aspiração. Mesmo pacientes assintomáticos com corpo estranho esofágico devem ter o objeto removido em até 6 horas. O jejum pré-procedimento deve ser o menor possível para não atrasar a intervenção. A endoscopia digestiva alta é o método de escolha para a remoção, permitindo visualização direta e extração segura do objeto.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para corpo estranho esofágico em crianças?

Sinais de alerta incluem dificuldade para engolir (disfagia), recusa alimentar, sialorreia (baba excessiva), engasgos, dor torácica ou abdominal, e, em casos mais graves, desconforto respiratório. A ausência de sintomas graves não exclui a necessidade de avaliação.

Qual a diferença de conduta para corpo estranho em esôfago versus estômago?

Corpos estranhos impactados no esôfago, especialmente moedas, requerem remoção endoscópica urgente devido ao risco de complicações. No estômago, a maioria dos objetos pequenos e rombos passa espontaneamente, sendo indicada observação, exceto para objetos pontiagudos, baterias ou objetos grandes.

Quais são as principais complicações de um corpo estranho esofágico não removido?

As complicações incluem necrose por pressão na parede esofágica, perfuração esofágica, mediastinite, formação de fístulas traqueoesofágicas, estenoses esofágicas e aspiração pulmonar. A remoção precoce é crucial para prevenir esses desfechos.

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