Ingestão de Cáusticos em Crianças: Guia de Manejo e Endoscopia

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

A ingestão de substâncias cáusticas em pediatria é responsável por signifîcativa sobrecarga nos recursos de cuidados de saúde. As sequelas são esofagite, necrose, perfuração e estenose.Sobre esta situação assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A ingestão de substâncias alcalinas é menos grave.
  2. B) A maioria dos casos de ingestão é de substâncias ácidas.
  3. C) No atendimento inicial pode-se indicar a lavagem gástrlca ou o vômito induzido.
  4. D) A endoscopia digestiva alta é recomendada em todas as crianças sintomáticas.
  5. E) A ausência de lesões orofaríngeas exclui possibilidade de lesão esofagogástńca significativa.

Pérola Clínica

Ingestão cáustica pediátrica → EDA em sintomáticos; ausência de lesão oral NÃO exclui lesão esofágica.

Resumo-Chave

A endoscopia digestiva alta é fundamental para avaliar a extensão das lesões esofágicas e gástricas após ingestão de cáusticos em crianças sintomáticas, pois a ausência de lesões orofaríngeas não garante a ausência de lesões internas. Lavagem gástrica e vômito são contraindicados pelo risco de reexposição e perfuração.

Contexto Educacional

A ingestão acidental de substâncias cáusticas é uma emergência pediátrica grave, com potencial para causar lesões devastadoras no trato gastrointestinal superior, incluindo esofagite, necrose, perfuração e estenose. A maioria dos casos ocorre em crianças pequenas, que exploram o ambiente e podem confundir produtos de limpeza com bebidas. O conhecimento do manejo adequado é essencial para minimizar as sequelas. Substâncias alcalinas (como produtos de limpeza de forno, desentupidores) tendem a causar necrose por liquefação, que é mais profunda e progressiva, enquanto substâncias ácidas (como limpadores de vaso sanitário, removedores de ferrugem) causam necrose por coagulação, que geralmente é mais superficial. Contudo, ambas podem ser extremamente perigosas. É um erro comum acreditar que a ausência de lesões na orofaringe exclui lesões esofágicas significativas, pois a passagem rápida do cáustico pode poupar a boca e faringe, mas lesionar gravemente o esôfago. No atendimento inicial, é crucial não induzir vômito, não realizar lavagem gástrica e não tentar neutralizar o cáustico, pois essas ações podem agravar as lesões. A endoscopia digestiva alta é recomendada em todas as crianças sintomáticas para avaliar a extensão das lesões e guiar o tratamento. O manejo subsequente pode envolver suporte nutricional, dilatações esofágicas para estenoses e, em casos graves, cirurgia.

Perguntas Frequentes

Por que a endoscopia digestiva alta é importante na ingestão de cáusticos em crianças?

A EDA é crucial para avaliar a extensão e profundidade das lesões esofágicas e gástricas, que não podem ser inferidas apenas pela presença ou ausência de lesões orofaríngeas. Ela guia o prognóstico e o plano de tratamento.

Quais são as contraindicações no atendimento inicial de uma criança que ingeriu cáusticos?

São contraindicados a lavagem gástrica, a indução de vômito e a neutralização com outras substâncias. Essas medidas podem causar reexposição da mucosa ao cáustico, aumentar o risco de perfuração e agravar as lesões.

As substâncias alcalinas são mais ou menos graves que as ácidas na ingestão pediátrica?

As substâncias alcalinas são geralmente mais graves, pois causam necrose por liquefação, que progride em profundidade e pode atingir todas as camadas da parede esofágica. As ácidas causam necrose por coagulação, que tende a ser mais superficial.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo