AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Lactente de 2 anos foi trazido à emergência após ter ingerido um produto de limpeza que os cuidadores não souberam informar. O acidente ocorreu há menos de uma hora e a criança apresenta-se com salivação, estridor, vômitos, muito irritada por dor na boca e abdominal, recusa para engolir. No manejo deste paciente analise as assertivas abaixo e a relação proposta entre elas.I. – Após o cuidado de suporte está indicado o uso de carvão ativado 1g/kg. PORQUEII. – O carvão vegetal tem maior probabilidade de ser eficaz quando administrado dentro de uma hora após a ingestão. A respeito destas asserções, assinale a opção correta.
Ingestão cáustica: carvão ativado CONTRAINDICADO devido ao risco de aspiração e ineficácia.
Em casos de ingestão de substâncias cáusticas, o carvão ativado é contraindicado. Ele não adsorve cáusticos e pode induzir vômitos, aumentando o risco de aspiração e lesão esofágica e pulmonar. A assertiva I é falsa. A assertiva II é verdadeira em relação à janela de eficácia do carvão ativado para substâncias adsorvíveis, mas irrelevante para cáusticos.
A ingestão de substâncias cáusticas por crianças é uma emergência pediátrica grave, frequentemente acidental, com potencial para causar lesões significativas no trato gastrointestinal superior e nas vias aéreas. Produtos de limpeza domésticos, como desinfetantes, alvejantes e desentupidores de ralo, são as principais fontes. A rápida identificação e manejo adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como estenoses esofágicas e lesões pulmonares. A educação dos pais sobre a guarda segura desses produtos é a melhor forma de prevenção. A fisiopatologia das lesões cáusticas depende do tipo de substância (ácido ou álcali), concentração, volume e tempo de contato. Álcalis causam necrose de liquefação, penetrando profundamente nos tecidos, enquanto ácidos causam necrose de coagulação, que tende a ser mais superficial, mas pode levar à perfuração gástrica. Os sintomas incluem dor intensa, salivação, disfagia, vômitos e, em casos graves, estridor e desconforto respiratório. O diagnóstico é clínico, mas a extensão das lesões é determinada por endoscopia digestiva alta. O tratamento inicial foca no suporte vital (ABC). É fundamental NÃO induzir o vômito, NÃO neutralizar a substância com outras substâncias e NÃO administrar carvão ativado. A endoscopia é o pilar do diagnóstico e prognóstico, devendo ser realizada precocemente. O tratamento subsequente pode incluir hidratação venosa, analgésicos e, em casos de estenose, dilatações endoscópicas ou cirurgia. A vigilância para complicações tardias é essencial, dada a possibilidade de desenvolvimento de carcinoma esofágico em longo prazo.
Os sinais e sintomas podem incluir dor na boca, orofaringe e abdome, salivação excessiva, disfagia, vômitos, estridor (indicando edema de vias aéreas superiores), e recusa alimentar. A ausência de lesões orais não exclui lesões esofágicas ou gástricas graves.
O carvão ativado não adsorve substâncias cáusticas (ácidos ou álcalis) e, portanto, não é eficaz. Além disso, sua administração pode induzir vômitos, aumentando o risco de reexposição do esôfago e da orofaringe ao cáustico, e de aspiração pulmonar, o que pode agravar as lesões.
A conduta inicial deve focar no suporte das vias aéreas, respiração e circulação (ABC). Não induzir vômitos nem administrar carvão ativado. Avaliar a necessidade de intubação em caso de estridor ou dificuldade respiratória. Realizar endoscopia digestiva alta precoce (geralmente nas primeiras 12-24 horas) para avaliar a extensão das lesões.
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