Bateria no Esôfago Pediátrico: Diagnóstico e Conduta Urgente

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 2 anos de idade é levada pela mãe ao hospital com relato de aumento de salivação subitamente, não conseguindo deglutir. A mãe relata que quadro iniciou há, aproximadamente, 1 hora após deixar a paciente sozinha na sala por alguns minutos, afirmando que antes a paciente estava bem. Foi realizada uma radiografia de tórax, obtendo-se a seguinte imagem.Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta o corpo estranho ingerido pela paciente e a conduta a ser adotada nessa situação.

Alternativas

  1. A) bateria; realizar endoscopia o mais rápido possível
  2. B) moeda; realizar endoscopia o mais rápido possível
  3. C) bateria; realizar endoscopia eletivamente no próximo dia
  4. D) moeda; realizar endoscopia eletivamente no próximo dia
  5. E) moeda; não realizar endoscopia

Pérola Clínica

Criança com disfagia/sialorreia súbita + imagem de bateria no esôfago → endoscopia de urgência imediata.

Resumo-Chave

A ingestão de bateria tipo botão no esôfago é uma emergência pediátrica grave. A bateria pode causar necrose por liquefação e perfuração esofágica em poucas horas devido à descarga elétrica e liberação de substâncias alcalinas. A remoção endoscópica deve ser realizada o mais rápido possível.

Contexto Educacional

A ingestão de corpos estranhos é um evento comum na pediatria, e o esôfago é o local mais frequente de impactação. Entre os corpos estranhos, a bateria tipo botão representa uma emergência médica grave e potencialmente fatal. Crianças pequenas, especialmente entre 6 meses e 3 anos, são as mais afetadas devido à sua curiosidade e tendência a explorar objetos com a boca. Os sintomas podem ser inespecíficos, como aumento súbito da salivação, disfagia, vômitos ou recusa alimentar, o que exige alta suspeição. A gravidade da ingestão de bateria tipo botão no esôfago reside no rápido desenvolvimento de lesões. A bateria, ao ficar impactada, gera uma corrente elétrica que hidrolisa a água dos tecidos, produzindo hidróxido de sódio. Este processo causa necrose por liquefação, que pode levar à perfuração esofágica, fístulas traqueoesofágicas, estenoses e até hemorragias maciças em poucas horas. A identificação radiográfica é crucial; a bateria pode ser diferenciada de uma moeda pelo "sinal do duplo anel" ou "halo" na incidência frontal. A conduta para a ingestão de bateria tipo botão no esôfago é a remoção endoscópica de urgência, que deve ser realizada o mais rápido possível, idealmente em menos de 2 horas após a ingestão, para minimizar o dano tecidual. O tempo é um fator crítico para o prognóstico. Após a remoção, é essencial avaliar a extensão da lesão e monitorar o paciente para complicações tardias, como estenoses esofágicas, que podem exigir intervenções adicionais. A educação dos pais sobre os perigos desses objetos é fundamental para a prevenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de ingestão de corpo estranho no esôfago em crianças?

Os sintomas comuns incluem disfagia (dificuldade para engolir), sialorreia (aumento da salivação), vômitos, dor torácica ou abdominal, e recusa alimentar. Em lactentes, irritabilidade e tosse podem ser os únicos sinais.

Por que a ingestão de bateria tipo botão no esôfago é uma emergência?

A bateria tipo botão pode causar lesões graves e rápidas no esôfago devido à descarga elétrica e à liberação de hidróxido de sódio, que provoca necrose por liquefação, perfuração e fístulas em poucas horas.

Como diferenciar uma bateria de uma moeda na radiografia de tórax?

Na radiografia, a bateria tipo botão geralmente apresenta um "halo" ou "duplo anel" na visão frontal, devido à sua estrutura interna, enquanto a moeda é homogênea. Na visão lateral, a bateria pode ter uma borda mais fina e um centro mais espesso.

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