Ingestão de Bateria Botão em Crianças: Urgência e Manejo

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Criança de 6 anos de idade apresentou ingestão acidental, há 2 horas, de bateria do tamanho de um botão pequeno. Na admissão do pronto-socorro, a paciente não apresentava sialorreia ou comprometimento de via aérea. Foi submetida a radiografia de tórax e abdome, que evidenciou a localização da bateria no terço distal do esôfago. Sobre o caso acima, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Como o objeto encontra-se retido no esôfago e trata-se de bateria, está indicada a endoscopia digestiva alta imediata para retirada do corpo estranho.
  2. B) Como o objeto já está no terço distal do esôfago, pode-se aguardar até 24 horas. Se houver migração para o estômago, não há indicação de endoscopia.
  3. C) Como a paciente não apresenta sialorreia ou comprometimento de via aérea, pode-se aguardar 8 horas, repetir radiografia e, se o objeto não migrar para o estômago, realizar endoscopia.
  4. D) Objetos que se encontram localizados no esôfago após a ingestão devem ser retirados via endoscopia digestiva alta imediata, dado o risco de broncoaspiração.

Pérola Clínica

Ingestão de bateria botão no esôfago → Endoscopia digestiva alta IMEDIATA (emergência médica).

Resumo-Chave

Baterias tipo botão retidas no esôfago são uma emergência médica devido ao risco rápido de necrose por liquefação e perfuração. A remoção endoscópica deve ser realizada o mais rápido possível, idealmente em menos de 2 horas, independentemente dos sintomas iniciais.

Contexto Educacional

A ingestão de corpos estranhos é uma ocorrência comum na pediatria, e as baterias tipo botão representam um risco particularmente grave. A prevalência de ingestões acidentais é alta em crianças pequenas, que exploram o ambiente colocando objetos na boca. A importância clínica reside na rápida e potencialmente devastadora lesão que essas baterias podem causar, tornando-se uma verdadeira emergência médica. A fisiopatologia da lesão por bateria tipo botão no esôfago envolve múltiplos mecanismos. A corrente elétrica gerada pela bateria em contato com a mucosa úmida do esôfago causa hidrólise da água e produção de hidróxido, levando à necrose por liquefação. Além disso, a pressão direta e a liberação de metais pesados contribuem para o dano tecidual. O diagnóstico é feito pela história clínica e confirmado por radiografia, que pode mostrar o sinal do "duplo anel". A conduta para ingestão de bateria tipo botão retida no esôfago é a remoção endoscópica imediata. Não há espaço para observação, mesmo em pacientes assintomáticos, devido à rápida progressão da lesão. Após a remoção, é fundamental avaliar a extensão do dano esofágico e planejar o acompanhamento para detectar complicações como estenoses ou fístulas. A prevenção, com o armazenamento seguro de baterias, é a medida mais eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos específicos da ingestão de bateria tipo botão no esôfago?

As baterias tipo botão podem causar lesões graves no esôfago devido à descarga elétrica, liberação de substâncias cáusticas e necrose por liquefação. Isso pode levar a perfuração, fístulas traqueoesofágicas e estenoses, mesmo em poucas horas.

Qual é o tempo ideal para a remoção endoscópica de uma bateria no esôfago?

A remoção endoscópica de uma bateria tipo botão retida no esôfago deve ser realizada o mais rápido possível, em caráter de emergência, idealmente dentro de 2 horas da ingestão para minimizar danos teciduais.

Como diferenciar a ingestão de bateria de outros corpos estranhos no esôfago?

A radiografia é crucial para identificar a bateria, que geralmente aparece como um objeto redondo com um "halo" ou "duplo anel" característico. Outros corpos estranhos podem ter formas variadas e não apresentar esse padrão.

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