FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Lactente de 1 ano e 6 meses de idade foi surpreendido pela mãe com um brinquedo eletrônico do irmão na boca. Ao recuperar o objeto, notou-se que o mesmo estava com o local de armazenamento da bateria exposto e uma delas não foi encontrada. A bateria possuía tamanho aproximado de uma moeda. A criança foi levada imediatamente ao pronto atendimento para avaliação. Durante o atendimento, a mãe relatou observar salivação aumentada, mas não foi observado sialorreia, ou qualquer alteração ao exame físico. Com base no quadro clínico descrito acima, sobre a ingestão de corpo estranho, assinale a alternativa que apresenta ações pertinentes à condução desse caso.
Ingestão de bateria de botão: esôfago → remoção URGENTE; TGI distal assintomático → controle radiológico seriado.
Baterias de botão no esôfago são emergências devido ao risco de lesão cáustica grave e perfuração, mesmo em pacientes assintomáticos. No trato gastrointestinal distal, se o paciente estiver assintomático, a conduta pode ser expectante com acompanhamento radiológico para monitorar a progressão e eliminação.
A ingestão de baterias de botão é uma emergência pediátrica crescente, com potencial para morbidade e mortalidade significativas. Essas baterias, especialmente as de lítio, podem causar lesões graves no trato gastrointestinal devido à geração de corrente elétrica e liberação de hidróxido, resultando em necrose por liquefação, perfuração e fístulas. A localização mais crítica é o esôfago, onde a lesão pode ocorrer em poucas horas. O diagnóstico é feito por radiografia simples, que deve ser realizada em duas projeções (AP e lateral) para confirmar a presença e localização da bateria. O manejo depende da localização: se no esôfago, a remoção endoscópica de urgência é mandatória, mesmo em pacientes assintomáticos. Se a bateria estiver abaixo do esôfago e o paciente assintomático, pode-se optar por observação com controle radiológico seriado até a eliminação, mas sempre com vigilância para o surgimento de sintomas. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam cientes da gravidade e do manejo adequado dessas ingestões. A educação dos pais sobre os perigos das baterias de botão e o armazenamento seguro é fundamental para a prevenção. Complicações incluem estenoses esofágicas, fístulas traqueoesofágicas e mediastinite, exigindo acompanhamento prolongado.
Sinais de alerta incluem salivação excessiva, disfagia, dor torácica, vômitos, febre e irritabilidade. A ausência de sintomas não exclui lesão grave, especialmente se a bateria estiver no esôfago.
A conduta inicial é levar a criança imediatamente ao pronto atendimento para avaliação e realização de radiografias para localizar a bateria. Se estiver no esôfago, a remoção endoscópica de urgência é imperativa.
Baterias de botão são mais perigosas devido à descarga elétrica e liberação de substâncias alcalinas que podem causar lesões cáusticas, necrose por liquefação e perfuração tecidual rapidamente, ao contrário das moedas que geralmente causam apenas obstrução mecânica.
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