Influenza Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento com Oseltamivir

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

Lactente de 8 meses, há 2 dias com rinorréia aquosa e febre, picos febris de 39ºC 2 vezes ao dia, há 12 horas com tosse seca e dificuldade para respirar, passando a aceitar só dieta liquida e leite materno. É bem nutrido, com as vacinas em dia. É a primeira doença desde que entrou na creche, há 2 meses. Ao exame físico: febre (37,9ºC); FR: 55 rpm; FC: 110 bpm; Saturação O₂: 90%. Enchimento capilar menor que 3 segundos, sonolento, com batimento de aleta nasal e tosse. Apresenta rinorréia mucoide e boca com pouca saliva. Toráx: retrações subcostais e intercostais, com murmúrio vesicular abafado, sibilos e roncos de transmissão bilaterais. Abdome globoso, fígado há 3 cm do rebordo costal e baço não palpável. Sem sinais meníngeos. Raio X de tórax com infiltrado difuso. O médico que está o atendendo indica lavagem nasal com solução fisiológica e aspiração das narinas cuidadosamente, com posterior melhora da saturação para 93%. Com base no provável diagnóstico, qual a conduta terapêutica mais adequada?

Alternativas

  1. A) Hidratação e nebulização com solução fisiológica
  2. B) Ceftriaxona endovenosa
  3. C) Inalação com broncodilatador
  4. D) Oseltamivir via oral
  5. E) Aerolin

Pérola Clínica

Lactente < 2 anos com quadro gripal grave (febre, desconforto respiratório, hipoxemia, infiltrado difuso) → Oseltamivir oral.

Resumo-Chave

O quadro de lactente com febre alta, rinorreia, tosse seca, desconforto respiratório, hipoxemia e infiltrado difuso no raio-X, especialmente com histórico de creche, sugere infecção viral respiratória grave, como influenza. A indicação de Oseltamivir é pertinente para casos graves ou de risco em crianças.

Contexto Educacional

A influenza, ou gripe, é uma infecção respiratória viral aguda causada pelos vírus influenza A e B, que pode ser particularmente grave em lactentes e crianças pequenas, especialmente aquelas com menos de 2 anos ou com comorbidades. A transmissão ocorre principalmente por gotículas respiratórias. O quadro clínico varia de sintomas leves de resfriado a doença grave com pneumonia, bronquiolite e outras complicações, como otite média e desidratação. O histórico de contato em creches aumenta o risco de exposição. O diagnóstico da influenza é primariamente clínico, baseado nos sintomas e na epidemiologia sazonal. Em casos de doença grave ou em pacientes de risco, a confirmação laboratorial por RT-PCR é recomendada. Os sinais de alerta para gravidade incluem febre persistente, desconforto respiratório progressivo (taquipneia, tiragens, batimento de aleta nasal), hipoxemia (saturação de O₂ < 90-92%), letargia, recusa alimentar e desidratação. O raio-X de tórax pode mostrar infiltrados difusos, indicando pneumonia viral. O tratamento da influenza em crianças é principalmente de suporte, com hidratação, controle da febre e desobstrução das vias aéreas. No entanto, em lactentes menores de 2 anos ou crianças com fatores de risco para complicações, o tratamento antiviral com Oseltamivir é recomendado, idealmente iniciado nas primeiras 48 horas do início dos sintomas. O Oseltamivir pode reduzir a duração e a gravidade da doença, bem como o risco de complicações. A vacinação anual contra influenza é a medida preventiva mais eficaz.

Perguntas Frequentes

Quando o Oseltamivir é indicado para influenza em crianças?

O Oseltamivir é indicado para crianças com influenza que apresentam doença grave ou progressiva, ou que possuem fatores de risco para complicações (ex: idade < 2 anos, doenças crônicas), idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas.

Quais são os sinais de gravidade da influenza em lactentes?

Sinais de gravidade incluem desconforto respiratório (taquipneia, tiragem, batimento de aleta nasal), hipoxemia (saturação < 90-92%), letargia, recusa alimentar, desidratação e alterações no estado de consciência.

Como diferenciar a influenza de outras infecções respiratórias virais em crianças?

A diferenciação clínica pode ser difícil, pois muitas infecções virais compartilham sintomas. O diagnóstico definitivo requer testes laboratoriais (PCR para influenza). No entanto, a gravidade do quadro e a epidemiologia podem sugerir influenza.

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