Manejo de Influenza em Pacientes Imunossuprimidos

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Homem de 72 anos queixa-se de obstrução nasal, coriza, tosse oligoprodutiva com escarro translúcido e febre (38.4°C) há três dias. É portador de câncer gástrico e está em realização de quimioterapia. Não apresenta alterações ao exame físico. EXAMES DE LABORATÓRIO: leucócitos 3.400/mm²; neutrófilos 1.750/mm³; plaquetas 157.000/mm³; proteína C reativa 18mg/L; teste rápido em swab nasal para SARS-Cov-2 e influenza A e B negativos. Recebeu a prescrição de dipirona e lavagem nasal com soro fisiológico. Assinale a alternativa que apresenta a prescrição MAIS ADEQUADA para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Amoxicilina-clavulanato e ciprofloxacino.
  2. B) Cefepime.
  3. C) Nirmatrelvir-ritonavir.
  4. D) Oseltamivir.

Pérola Clínica

Imunossuprimido com sintomas gripais → Oseltamivir precoce, mesmo com teste rápido negativo.

Resumo-Chave

Em pacientes de alto risco (oncológicos), o tratamento para Influenza deve ser iniciado empiricamente devido à baixa sensibilidade dos testes rápidos e ao risco de complicações graves.

Contexto Educacional

O manejo de infecções respiratórias em pacientes oncológicos exige vigilância constante. A Influenza pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória neste grupo. O uso de inibidores da neuraminidase (Oseltamivir) é a pedra angular do tratamento. A decisão clínica deve prevalecer sobre testes de triagem rápidos, que possuem taxas consideráveis de falso-negativos. Além do antiviral, o suporte clínico com hidratação e monitoramento de sinais de alerta é essencial.

Perguntas Frequentes

Por que tratar Influenza se o teste rápido foi negativo?

Os testes rápidos para Influenza (imunocromatografia) apresentam sensibilidade moderada, variando entre 50% a 70%. Em pacientes de alto risco, como aqueles em quimioterapia para câncer gástrico, o risco de progressão para pneumonia viral ou complicações secundárias é elevado. O Ministério da Saúde e sociedades internacionais recomendam o início do Oseltamivir nas primeiras 48 horas de sintomas de síndrome gripal para qualquer paciente com fator de risco, independentemente do resultado laboratorial imediato, visando reduzir a morbimortalidade.

Qual a dose padrão de Oseltamivir para adultos?

A dose padrão para o tratamento de Influenza em adultos é de 75 mg, por via oral, duas vezes ao dia (12/12h), durante 5 dias. Em pacientes gravemente imunossuprimidos ou com doença crítica, o tempo de tratamento pode ser estendido conforme a evolução clínica. É fundamental ajustar a dose em pacientes com insuficiência renal, baseando-se no clearance de creatinina, embora no caso clínico apresentado a função renal não tenha sido detalhada como alterada.

O paciente do caso é considerado neutropênico?

Não. O paciente apresenta 1.750 neutrófilos/mm³. A definição clássica de neutropenia febril exige uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) inferior a 500/mm³ (ou <1.000 com previsão de queda) associada a um pico febril isolado >38.3°C ou sustentado >38.0°C. Embora não seja neutropênico, sua condição de paciente oncológico em quimioterapia o classifica como grupo de risco para complicações de infecções virais, justificando a terapia antiviral.

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