SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022
Mulher de 40 anos, G2P1C1A0, 36 semanas de gestação, índice de massa corpórea de 39 kg/m², pré-natal sem intercorrências. Há dois dias iniciou com mialgia, coriza, odinofagia e tosse produtiva, e hoje teve febre de 39ºC e dispneia aguda. Ao exame está com pressão arterial de 140 x 90 mmHg, pulso de 110 bpm, frequência respiratória de 35 irpm, saturação O2 em ar ambiente de 90%, ausculta pulmonar: diminuição do murmúrio vesicular em bases pulmonares. Exame obstétrico: altura uterina de 30 cm, dinâmica uterina ausente, frequência cardíaca fetal de 146 bpm. Após a internação, coleta de exames e cateter nasal com O2, esta gestante deve ser tratada com:
Gestante com síndrome gripal grave (dispneia, sat O2 <95%) → Oseltamivir + Heparina profilática + ATB IV (se suspeita de pneumonia).
A paciente apresenta um quadro de síndrome gripal grave com sinais de insuficiência respiratória (dispneia, FR 35, Sat O2 90%) e fatores de risco (obesidade, gravidez). Nesses casos, o tratamento deve incluir Oseltamivir (antiviral para influenza), heparina profilática (pelo risco trombótico na gravidez e infecção) e antibiótico endovenoso para cobrir uma possível pneumonia bacteriana secundária.
Gestantes são consideradas um grupo de alto risco para complicações da influenza devido às alterações fisiológicas da gravidez que comprometem a função pulmonar e imunológica. A infecção por influenza pode levar a quadros graves, incluindo pneumonia viral primária, pneumonia bacteriana secundária e insuficiência respiratória aguda, com risco aumentado de morbimortalidade materna e fetal. Fatores como obesidade, asma e outras comorbidades aumentam ainda mais esse risco. O manejo de uma gestante com síndrome gripal grave, como a descrita na questão (febre, dispneia, saturação baixa), exige uma abordagem rápida e abrangente. O tratamento antiviral com Oseltamivir deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, independentemente da confirmação laboratorial da influenza, devido à sua segurança e eficácia comprovadas na gravidez. A dose recomendada é de 75 mg, duas vezes ao dia, por 5 dias. Além do antiviral, a profilaxia antitrombótica com heparina (de baixo peso molecular ou não fracionada) é fundamental, considerando o estado de hipercoagulabilidade fisiológico da gravidez e o risco adicional imposto pela infecção e imobilização. A cobertura antibiótica empírica com antibióticos de amplo espectro por via endovenosa é imperativa diante da suspeita de pneumonia bacteriana secundária, uma complicação frequente e potencialmente fatal. A escolha do antibiótico deve considerar os patógenos mais comuns (Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus) e a segurança na gestação. O suporte ventilatório e a oxigenoterapia são essenciais para manter a saturação de oxigênio adequada.
Sinais de alerta para influenza grave em gestantes incluem dispneia, taquipneia (FR > 30 irpm), saturação de oxigênio abaixo de 95%, dor torácica, hipotensão, alteração do nível de consciência e desidratação grave. A presença de comorbidades como obesidade ou asma aumenta o risco de complicações.
O Oseltamivir é um antiviral que inibe a neuraminidase do vírus influenza, reduzindo a replicação viral e a duração e gravidade da doença. É seguro e eficaz na gravidez, e sua administração precoce (idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas) é crucial para prevenir complicações graves em gestantes, que são um grupo de alto risco.
A heparina profilática é indicada devido ao aumento do risco trombótico na gravidez, que é exacerbado por infecções graves e imobilização. O antibiótico endovenoso é essencial para cobrir uma possível pneumonia bacteriana secundária, uma complicação comum e grave da influenza, especialmente em pacientes com sinais de insuficiência respiratória e infiltrados pulmonares.
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