Influenza Grave na Gestação: Manejo e Tratamento

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Secundigesta, 26 anos, 26 semanas de gestação, índice de massa corpórea de 39 kg/m² , pré-natal sem intercorrências. Há dois dias iniciou com mialgia, coriza e dor de garganta e hoje teve febre de 38° ( e ''falta de ar''. Ao exame está com pressão arterial de 140/90 mmHg, pulso de 110 bpm, frequência respiratória de 35 irpm, saturação 02 em ar ambiente de 93%, ausculta pulmonar: diminuição do murmúrio vesicular em bases pulmonares. Exame obstétrico: altura uterina de 30 cm, dinâmica uterina ausente, frequência cardíaca fetal de 146 bpm. Após a internação, coleta de exames e cateter nasal com 0₂, esta gestante deve ser tratada com:

Alternativas

  1. A) Oseltamivir, heparina profilática e antibiótico endovenoso.
  2. B) Corticoide via oral, heparina terapêutica e antibiótico via oral.
  3. C) Anticoagulante via oral, heparina profilática e corticoide endovenoso.
  4. D) Antibiótico via oral, heparina terapêutica e oseltamivir.

Pérola Clínica

Gestante com influenza grave (dispneia, hipoxemia) → Oseltamivir, ATB IV para pneumonia secundária e heparina profilática.

Resumo-Chave

Gestantes com influenza apresentam maior risco de complicações, incluindo pneumonia bacteriana secundária e tromboembolismo. O tratamento com Oseltamivir é crucial, e a presença de sinais de gravidade (dispneia, hipoxemia) justifica a cobertura antibiótica empírica e a profilaxia antitrombótica.

Contexto Educacional

A influenza em gestantes é uma condição de alto risco, podendo levar a complicações maternas e fetais graves, incluindo pneumonia, insuficiência respiratória e parto prematuro. A fisiopatologia envolve uma resposta imune alterada na gravidez e maior susceptibilidade a infecções respiratórias, especialmente em pacientes com comorbidades como obesidade. O diagnóstico é clínico, com suporte laboratorial, e a suspeita deve ser alta em gestantes com sintomas gripais e sinais de gravidade. O tratamento da influenza grave em gestantes inclui o antiviral Oseltamivir, que deve ser iniciado o mais rápido possível. Além disso, a presença de sinais de pneumonia bacteriana secundária exige antibioticoterapia empírica endovenosa. A profilaxia antitrombótica com heparina é fundamental devido ao risco aumentado de tromboembolismo. O manejo multidisciplinar e a monitorização contínua são essenciais para otimizar o prognóstico materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade da influenza em gestantes?

Sinais de gravidade incluem dispneia, taquipneia, hipoxemia (SatO2 < 95%), dor torácica, alteração do nível de consciência, hipotensão e desidratação. A presença desses sinais indica necessidade de internação e tratamento agressivo.

Por que a heparina profilática é indicada para gestantes com influenza grave?

Gestantes já possuem um estado de hipercoagulabilidade fisiológica, que é exacerbado por infecções graves e imobilização. A heparina profilática previne eventos tromboembólicos, como trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

Quando iniciar antibióticos em gestantes com influenza?

Antibióticos devem ser iniciados empiricamente em gestantes com influenza que apresentem sinais de pneumonia bacteriana secundária, como piora do quadro respiratório, febre persistente, hipoxemia ou achados radiológicos sugestivos. A cobertura deve ser para patógenos comuns de pneumonia adquirida na comunidade.

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