USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2019
Menina, 1 ano e 3 meses de idade, é levada pela mãe ao pronto-socorro devido a quadro de febre de 38,8°C iniciada hoje, associado a tosse produtiva com expectoração clara, rinorreia e obstrução nasal. Refere diminuição da aceitação alimentar. Sem alterações intestinais ou urinárias. Sem outras queixas. Possui antecedente de prematuridade de 31 semanas, tendo evoluído com broncodisplasia, em seguimento regular com pneumologista e em uso apenas de profilaxia com sulfato ferroso e vitamina D. Ao exame, criança em bem estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica. FR = 34 irpm; FC = 112 bpm; T = 36,4°C, com boa perfusão periférica. Exame pulmonar com expansibilidade simétrica, presença de roncos de transmissão esparsos, sem outros ruídos adventícios, sem sinais de desconforto respiratório. Oroscopia com discreta hiperemia em palato. Otoscopia sem alterações. Sem outras alterações ao exame clínico. Dentre as opções abaixo, está indicado para o tratamento do quadro agudo atual:
Criança com broncodisplasia e sintomas gripais (febre, tosse, rinorreia) → considerar influenza e iniciar Oseltamivir.
A criança apresenta sintomas de síndrome gripal (febre, tosse, rinorreia) e possui fatores de risco importantes (prematuridade e broncodisplasia). Nesses pacientes de risco, a infecção por influenza pode ser mais grave, e o tratamento com Oseltamivir é indicado, idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas.
A influenza é uma infecção respiratória viral aguda que pode ser particularmente grave em crianças, especialmente naquelas com fatores de risco. A prematuridade e a broncodisplasia são comorbidades importantes que aumentam significativamente a suscetibilidade a infecções respiratórias graves, incluindo a influenza, e o risco de complicações como pneumonia, hospitalização e até óbito. O reconhecimento precoce de uma síndrome gripal nesses pacientes e a instituição de tratamento adequado são cruciais. O quadro clínico de febre, tosse produtiva, rinorreia e obstrução nasal em uma criança com histórico de prematuridade e broncodisplasia é altamente sugestivo de infecção por influenza, especialmente durante a temporada de circulação viral. Embora o diagnóstico definitivo exija testes laboratoriais, a decisão de iniciar o tratamento antiviral é frequentemente baseada na suspeita clínica em pacientes de risco. O Oseltamivir é um inibidor da neuraminidase, um antiviral eficaz contra os vírus influenza A e B. Sua indicação é prioritária em pacientes com fatores de risco para doença grave, como a paciente do caso (prematuridade e broncodisplasia), e deve ser iniciado idealmente dentro das primeiras 48 horas do início dos sintomas para maximizar sua eficácia. Antibióticos como amoxicilina ou ceftriaxona não são indicados para infecções virais não complicadas. O Palivizumab é um anticorpo monoclonal utilizado para profilaxia de infecção grave por Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em grupos de alto risco, não sendo um tratamento para influenza.
O Oseltamivir é indicado para crianças com influenza, especialmente aquelas com fatores de risco para complicações graves (como prematuridade, broncodisplasia, doenças cardíacas ou imunodeficiência), e deve ser iniciado idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas.
Fatores de risco incluem idade < 2 anos (especialmente < 6 meses), prematuridade, broncodisplasia, doenças cardíacas congênitas, doenças neurológicas crônicas, imunodeficiências, diabetes e obesidade. Crianças com esses fatores têm maior risco de hospitalização e complicações.
A profilaxia para influenza é feita com a vacina anual. Em casos de alto risco para VSR, como a broncodisplasia, pode-se usar Palivizumab (anticorpo monoclonal) para VSR, não para influenza. O tratamento da influenza estabelecida é feito com antivirais como o Oseltamivir.
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