CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Com relação a inflamação idiopática da órbita (“pseudotumor orbitário”), é correto afirmar:
Pseudotumor orbitário → Dor aguda + Proptose + Resposta dramática a corticoides.
A inflamação idiopática da órbita é um processo inflamatório não infeccioso e não neoplásico. Sua principal característica clínica é a dor e a excelente resposta terapêutica aos esteroides.
A inflamação idiopática da órbita, historicamente chamada de pseudotumor, é um diagnóstico de exclusão. É fundamental descartar causas infecciosas (celulite), vasculites (Granulomatose de Wegener) e neoplasias (linfoma) antes de fechar o diagnóstico. A patologia pode ser difusa ou localizada (lacrimoadenite, miosite, perineurite). A RM é superior para avaliar a extensão tecidual, mas a TC é frequentemente usada na emergência. O reconhecimento da tríade 'dor, proptose e resposta a corticoide' é essencial para o manejo adequado e prevenção de sequelas visuais.
O quadro clínico é tipicamente agudo ou subagudo, caracterizado por dor orbitária significativa (que piora com a movimentação ocular), proptose (olho saltado), quemose (edema da conjuntiva), edema palpebral e, por vezes, diplopia (visão dupla) devido ao acometimento dos músculos extraoculares (miosite). Diferente da orbitopatia de Graves, que costuma ser indolor e lenta, o pseudotumor é explosivo e visivelmente inflamatório, podendo simular uma celulite orbitária infecciosa.
O diagnóstico diferencial baseia-se na clínica e na imagem (TC ou RM). Na doença de Graves, o acometimento muscular é geralmente bilateral, indolor e, na imagem, observa-se o espessamento apenas do ventre muscular, poupando os tendões. No pseudotumor orbitário (forma miosite), o tendão também está inflamado e espessado. Além disso, o pseudotumor costuma ser unilateral e responde quase instantaneamente a corticoides, o que não ocorre de forma tão dramática na fase fibrótica da Graves.
O tratamento de primeira linha é a corticoterapia sistêmica em doses elevadas (ex: Prednisona 1mg/kg/dia). A resposta costuma ser tão rápida (melhora da dor em 24-48 horas) que é utilizada como critério diagnóstico confirmatório. Em casos recorrentes, resistentes ou com contraindicação aos esteroides, pode-se utilizar radioterapia orbitária em baixas doses ou agentes imunossupressores poupadores de corticoide, como metotrexato ou rituximabe.
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