Infertilidade Feminina: Investigação do Fator Tubário

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 32 anos, nuligesta, vem à consulta acompanhada de seu esposo, referindo tentativa de gestar há 4 anos. Sobre os antecedentes ginecológicos, a paciente refere ciclos menstruais regulares, fluxo de 3 - 4 dias, dismenorreia importante com piora progressiva desde que suspendeu o contraceptivo oral combinado. Refere ter tido doença inflamatória pélvica quando adolescente, que necessitou internação para antibioticoterapia endovenosa. Em relação à história médica pregressa, foi submetida à apendicectomia aos 25 anos. O parceiro tem 40 anos, é hígido, eutrófico, nega gestação em outros relacionamentos e nunca foi submetido a cirurgia. Sobre a investigação desse casal, afirma-se: I. Histerossalpingografia deve ser solicitada e videolaparoscopia deve ser discutida com a paciente como forma de complementar a investigação de possível fator tubo peritoneal. II. Avaliação de fator masculino é pouco importante neste momento, visto que o parceiro é hígido e a história feminina parece ser a causa da infertilidade. III. Deve ser solicitada dosagem de hormônio antimülleriano para avaliar a reserva ovariana, visto que a infertilidade é de longa data e o casal não deve perder tempo na busca de gestação. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) II.
  3. C) I e III.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

Infertilidade > 1 ano + DIP/cirurgia pélvica → investigar fator tubário (HSG, videolaparoscopia).

Resumo-Chave

A paciente apresenta fatores de risco importantes para infertilidade tubária (DIP prévia, apendicectomia) e sintomas sugestivos de endometriose (dismenorreia progressiva). A investigação do fator tubário com HSG e videolaparoscopia é fundamental. A avaliação do fator masculino é sempre importante, e o AMH não é prioritário em ciclos regulares e idade < 35 anos, a menos que outros fatores de risco para baixa reserva ovariana estejam presentes.

Contexto Educacional

A infertilidade é definida como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de contraceptivos em mulheres com menos de 35 anos, ou após 6 meses em mulheres com 35 anos ou mais. É um problema que afeta cerca de 10-15% dos casais em idade reprodutiva, sendo multifatorial e exigindo uma investigação abrangente de ambos os parceiros. Neste caso, a paciente apresenta histórico de doença inflamatória pélvica (DIP) e apendicectomia, ambos fatores de risco conhecidos para aderências pélvicas e obstrução tubária, que são causas comuns de infertilidade feminina. Além disso, a dismenorreia progressiva sugere endometriose, outra causa importante de infertilidade. A histerossalpingografia (HSG) é o exame de primeira linha para avaliar a permeabilidade tubária, e a videolaparoscopia pode ser necessária para confirmar e tratar patologias pélvicas. A avaliação do fator masculino é sempre essencial, independentemente da história feminina, pois o homem contribui significativamente para os casos de infertilidade. A dosagem de hormônio antimülleriano (AMH) é útil para avaliar a reserva ovariana, mas em pacientes jovens com ciclos regulares, a prioridade é investigar causas mais prováveis como o fator tubário. O manejo da infertilidade requer uma abordagem individualizada e sequencial, visando identificar e tratar as causas subjacentes.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da histerossalpingografia na investigação da infertilidade?

A histerossalpingografia (HSG) é um exame fundamental para avaliar a permeabilidade das tubas uterinas e a anatomia da cavidade uterina, sendo crucial para identificar o fator tubário, uma das principais causas de infertilidade.

Quando a videolaparoscopia é indicada na investigação da infertilidade?

A videolaparoscopia é indicada quando há forte suspeita de patologias pélvicas como endometriose, aderências ou obstrução tubária que não foram completamente elucidadas por outros exames, ou quando a HSG sugere anormalidades.

Por que a avaliação do fator masculino é sempre importante na infertilidade?

A infertilidade é um problema do casal, e o fator masculino contribui em cerca de 30-50% dos casos. Mesmo em parceiros hígidos, a análise seminal é um exame de baixo custo e fundamental para excluir causas masculinas de infertilidade.

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