UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
CGL, 39 anos, é casada há 12 anos. Nunca usou nenhum método contraceptivo. Informa que deseja ter filhos e há 6 meses iniciou tentativas de engravidar. Está muito ansiosa com a demora e procura atendimento. Ela é nuligesta. Refere ter uma boa vida sexual. Os ciclos menstruais são longos e irregulares (chegam a durar 50 dias), com fluxo normal e sem dismenorreia. Não apresenta nenhuma outra queixa. Exame tocoginecológico normal. Sobre a condução desse caso, assinale a alternativa correta.
Mulher > 35 anos, tentando engravidar há ≥ 6 meses com ciclos irregulares → Investigação completa de infertilidade (hormonal, tubária, masculina).
A paciente, com 39 anos e ciclos menstruais longos e irregulares, atende aos critérios para investigação de infertilidade primária após 6 meses de tentativas. Embora a anovulação seja provável, uma abordagem completa exige a avaliação de todos os fatores de infertilidade: hormonal (reserva ovariana, ovulação), tubário (permeabilidade), uterino e masculino (espermograma), antes de qualquer intervenção específica.
A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após um período de relações sexuais regulares e desprotegidas. Para mulheres com menos de 35 anos, esse período é de 12 meses; para mulheres com 35 anos ou mais, é de 6 meses. A prevalência de infertilidade é significativa, afetando cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva, e sua investigação requer uma abordagem sistemática e abrangente, considerando fatores femininos, masculinos e combinados. No caso da paciente, com 39 anos e ciclos menstruais longos e irregulares, ela se enquadra nos critérios para iniciar a investigação de infertilidade. A irregularidade menstrual sugere fortemente anovulação crônica, sendo a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) uma causa comum. No entanto, a investigação não deve se limitar a isso. É imperativo avaliar a reserva ovariana (devido à idade), a permeabilidade tubária (com histerossalpingografia), a anatomia uterina e, crucialmente, o fator masculino (com espermograma), que contribui significativamente para os casos de infertilidade. Uma vez que a investigação completa tenha sido realizada e todos os fatores identificados, o plano de tratamento pode ser individualizado. Isso pode incluir indução da ovulação para anovulação, cirurgia para fatores tubários ou uterinos, ou técnicas de reprodução assistida como a fertilização in vitro (FIV) em casos mais complexos ou de falha de tratamentos menos invasivos. Para residentes, a compreensão da abordagem diagnóstica completa é vital para evitar atrasos no tratamento e otimizar as chances de concepção para o casal.
A investigação de infertilidade é indicada após 12 meses de relações sexuais desprotegidas e regulares sem concepção para mulheres com menos de 35 anos. Para mulheres com 35 anos ou mais, ou com fatores de risco conhecidos (como ciclos irregulares), a investigação deve começar após 6 meses de tentativas.
A investigação feminina deve incluir a avaliação do fator ovulatório (dosagens hormonais, ultrassonografia seriada), fator tubário (histerossalpingografia), fator uterino (ultrassonografia, histeroscopia) e reserva ovariana (FSH, estradiol, hormônio antimülleriano).
O fator masculino contribui para cerca de 30-50% dos casos de infertilidade. A avaliação é essencial porque um espermograma alterado pode ser a única causa ou um fator contribuinte, e sua não identificação pode levar a tratamentos desnecessários ou ineficazes para a mulher.
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