Infertilidade Primária: Próximos Passos na Investigação Feminina

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020

Enunciado

Um casal, ambos com 27 anos, deu início ao processo para investigação de infertilidade primária. Na consulta, a mulher informou que as menstruações eram irregulares e com ciclos que variavam de 26 a 36 dias. Mantêm em média 2 a 3 relações sexuais por semana. Apresentava exame ginecológico normal e hirsutismo leve no exame físico geral. Além disso: colpocitologia cervicovaginal e dosagens de prolactina, FSH, testosterona, sulfato de deidroepiandrosterona e 17-alfa-hidroxiprogesterona normais. Ultrassonografia transvaginal e espermograma sem anormalidades. A conduta é:

Alternativas

  1. A) Repetir o espermograma.
  2. B) Realizar histeroscopia diagnóstica.
  3. C) Induzir a ovulação com acetato de clomifeno.
  4. D) Prescrever metformina.
  5. E) Solicitar histerossalpingografia.

Pérola Clínica

Infertilidade primária + exames básicos normais + ciclos irregulares = investigar fator tubário com histerossalpingografia.

Resumo-Chave

Em um cenário de infertilidade primária com exames hormonais e espermograma normais, e ultrassonografia transvaginal sem alterações óbvias, a próxima etapa na investigação da mulher é avaliar a permeabilidade tubária e a cavidade uterina, sendo a histerossalpingografia o exame de escolha para essa finalidade.

Contexto Educacional

A investigação da infertilidade primária é um processo sistemático que envolve a avaliação de ambos os parceiros. Após um ano de relações sexuais desprotegidas sem concepção, ou seis meses para mulheres acima de 35 anos, a investigação deve ser iniciada. O caso apresentado descreve uma mulher com ciclos irregulares e hirsutismo leve, que, apesar de sugerir Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), teve exames hormonais e ultrassonografia transvaginal normais, afastando um diagnóstico claro de SOP ou outras endocrinopatias. O espermograma do parceiro também estava normal. Nesse cenário, onde as causas ovulatórias e masculinas foram inicialmente descartadas ou consideradas de baixa probabilidade, e a anatomia uterina básica parece normal pela ultrassonografia, o próximo passo crucial na investigação da infertilidade feminina é a avaliação do fator tubário e da cavidade uterina. A histerossalpingografia (HSG) é o exame padrão-ouro para essa finalidade. Ela permite visualizar a permeabilidade das tubas uterinas e identificar possíveis anomalias na cavidade uterina, como pólipos, miomas submucosos ou sinéquias, que poderiam impedir a concepção ou a implantação. Para o residente, é essencial seguir um fluxograma lógico na investigação da infertilidade, garantindo que todas as possíveis causas sejam abordadas. A histerossalpingografia é um exame fundamental que pode revelar obstruções tubárias (causadas por infecções prévias, endometriose ou cirurgias) ou alterações uterinas que necessitem de intervenção antes de considerar tratamentos mais complexos como a indução de ovulação ou reprodução assistida.

Perguntas Frequentes

Quando a histerossalpingografia é indicada na investigação de infertilidade?

A histerossalpingografia é indicada após a avaliação hormonal e do espermograma, quando não há causa aparente de infertilidade, para verificar a permeabilidade das tubas uterinas e a anatomia da cavidade uterina.

Quais são as principais causas de infertilidade feminina?

As principais causas incluem distúrbios ovulatórios (ex: SOP), fator tubário (obstrução), fator uterino (miomas, pólipos, malformações), endometriose e fator cervical.

Quais exames são considerados de primeira linha na investigação da infertilidade?

A investigação inicial inclui espermograma para o homem, dosagens hormonais (FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH) e ultrassonografia transvaginal para a mulher, além da histerossalpingografia.

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