FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
A.S.V., 32 anos, acompanhamento médico especializado com programação para FIV. Apresenta histerossalpingografia com tubas tortuosas, espessadas, prova de Cottè bilateral negativa. APP: sobrepeso, internamento hospitalar por “inflamação” que culminou com cirurgia para drenagem de abcesso. AM: menarca 15 anos com catamênios posteriores regulares. AS: coitarca aos 17 anos, mais de três parceiros. Há 4 anos com parceiro fixo, sem método contraceptivo, tendo ele feito espermograma com critério de Kruger superior a 4%. AO: G: l P: 0, aborto 01 aos 18 anos, secundário a uso de misoprostol. Considerando o caso acima podemos levantar como principal hipótese:
HSG com tubas tortuosas/espessadas + Cottè negativa + histórico inflamatório pélvico → Infertilidade por fator tuboperitoneal (sequela DIPA).
O histórico de 'inflamação' pélvica com drenagem de abscesso, somado aos achados da histerossalpingografia (tubas tortuosas, espessadas, prova de Cottè negativa), são altamente sugestivos de sequelas de Doença Inflamatória Pélvica (DIPA), que causam infertilidade por fator tuboperitoneal. O estadiamento IV da DIPA é o mais grave, com abscesso tubo-ovariano ou peritonite. A infertilidade é conjugal, e o espermograma do parceiro já foi avaliado.
A infertilidade conjugal é uma condição que afeta milhões de casais globalmente, e o fator tuboperitoneal é uma das suas principais causas, respondendo por cerca de 30-40% dos casos de infertilidade feminina. Este fator é frequentemente uma sequela de infecções pélvicas, sendo a Doença Inflamatória Pélvica (DIPA) a etiologia mais comum. A DIPA, causada por microrganismos sexualmente transmissíveis, pode levar a danos irreversíveis nas tubas uterinas e na anatomia pélvica. O diagnóstico de infertilidade por fator tuboperitoneal é estabelecido através de uma combinação de história clínica e exames complementares. A história de múltiplos parceiros sexuais, infecções prévias ou cirurgias pélvicas aumenta a suspeita. A histerossalpingografia (HSG) é o exame padrão-ouro para avaliar a permeabilidade e a morfologia tubária, revelando achados como tubas tortuosas, espessadas, hidrossalpinge e, crucialmente, a prova de Cottè negativa, que indica obstrução tubária. A laparoscopia diagnóstica pode ser necessária para confirmar aderências e avaliar a extensão do dano. O estadiamento da DIPA é importante para o prognóstico reprodutivo. O estadiamento IV, que inclui abscesso tubo-ovariano ou peritonite, indica o dano mais grave e está associado a taxas de gravidez espontânea muito baixas, tornando a fertilização in vitro (FIV) a principal opção de tratamento. Embora o sobrepeso seja um fator endócrino que pode contribuir para a infertilidade, neste caso, o fator tuboperitoneal é a principal hipótese devido aos achados específicos e ao histórico.
Achados como tubas tortuosas, espessadas, irregularidades na mucosa, hidrossalpinge e, principalmente, a prova de Cottè negativa (ausência de extravasamento de contraste para a cavidade peritoneal) indicam obstrução ou aderências tubárias.
A DIPA pode causar danos irreversíveis às tubas uterinas, levando à obstrução, aderências peritubárias e distorção da anatomia pélvica, o que impede a captação do óvulo e o transporte de gametas, resultando em infertilidade tubária.
O estadiamento da DIPA reflete a gravidade da infecção e o potencial de sequelas. O estadiamento IV, com abscesso tubo-ovariano ou peritonite, indica dano tubário extenso e um prognóstico reprodutivo mais reservado, frequentemente necessitando de FIV.
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