Infertilidade Masculina: Quando Indicar ICSI no Espermograma

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Casal com desejo de gestação, procura orientação. Ela com 33 anos, nuligesta, ciclos menstruais regulares. Nega cirurgias anteriores. Histerossalpingografia normal. Ultrassom pélvico normal. Ele com 33 anos, nega uso de medicamentos. Fumante. Espermograma: volume: 2,5 ml, número de espermatozoides por ml: 500.000, Vitalidade: 60% Qual tratamento a ser oferecido?

Alternativas

  1. A) FIV (fertilização in vitro)
  2. B) Vídeo laparoscopia diagnóstica
  3. C) ICSI (inseminação intracitoplasmática de espermatozóides)
  4. D) Indução de ovulação seguida de IIU (inseminação intra-uterina)

Pérola Clínica

Oligozoospermia severa (< 1 milhão/ml) → ICSI é o tratamento de escolha para infertilidade masculina.

Resumo-Chave

O espermograma do parceiro revela uma oligozoospermia severa (500.000 espermatozoides/ml), uma condição onde a contagem de espermatozoides é extremamente baixa. Nesses casos, a Inseminação Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI) é a técnica de reprodução assistida mais indicada, pois permite a injeção direta de um único espermatozoide no óvulo, superando as barreiras da fertilização natural.

Contexto Educacional

A infertilidade afeta aproximadamente 15% dos casais, e o fator masculino contribui em cerca de 50% dos casos. A avaliação da fertilidade masculina é realizada principalmente através do espermograma, que analisa parâmetros como volume, concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Alterações significativas nesses parâmetros, como a oligozoospermia severa (contagem de espermatozoides < 1 milhão/ml), indicam a necessidade de intervenções de reprodução assistida. No caso apresentado, a contagem de 500.000 espermatozoides/ml é extremamente baixa, caracterizando uma oligozoospermia severa. Nesses cenários, as chances de concepção natural ou por técnicas menos complexas, como a inseminação intrauterina (IIU), são mínimas. A IIU é geralmente reservada para casos de infertilidade inexplicada, anovulação ou fator masculino leve a moderado, onde a contagem total de espermatozoides móveis é significativamente maior. A Inseminação Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI) é a técnica de reprodução assistida mais eficaz para superar a infertilidade masculina grave. Desenvolvida na década de 1990, a ICSI revolucionou o tratamento da infertilidade, permitindo que casais com fator masculino severo tenham filhos biológicos. O procedimento envolve a seleção de um único espermatozoide e sua injeção direta no citoplasma de um óvulo maduro, contornando as dificuldades de fertilização que ocorrem naturalmente ou na fertilização in vitro (FIV) convencional. A ICSI é realizada como parte de um ciclo de FIV, após a estimulação ovariana e a coleta dos óvulos.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de oligozoospermia severa e como ela afeta a fertilidade?

Oligozoospermia severa é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma contagem de espermatozoides inferior a 1 milhão por mililitro. Essa baixa contagem reduz drasticamente a chance de fertilização natural ou por técnicas menos invasivas, tornando a reprodução assistida essencial.

Quando a ICSI é a melhor opção de tratamento para infertilidade?

A ICSI é a técnica de escolha para casos de infertilidade masculina grave, incluindo oligozoospermia severa, astenozoospermia (baixa motilidade), teratozoospermia (morfologia anormal), azoospermia obstrutiva ou não obstrutiva (com recuperação espermática cirúrgica), falha de fertilização em ciclos de FIV anteriores e uso de espermatozoides criopreservados.

Qual a diferença entre FIV convencional e ICSI?

Na FIV convencional, os óvulos são colocados em uma placa com milhares de espermatozoides, e a fertilização ocorre espontaneamente. Na ICSI, um único espermatozoide é selecionado e injetado diretamente no citoplasma de cada óvulo maduro, superando problemas de interação espermatozoide-óvulo e baixa contagem espermática.

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